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SILVIO OSIAS

Buddy Guy, 90 anos

Guitarrista nascido em 30 de julho de 1936 é a última lenda do blues da sua geração.

Publicado em 29/07/2026 às 6:30


					Buddy Guy, 90 anos

O blues é música de preto. Foi inventada e desenvolvida por eles nos campos e nos centros urbanos dos Estados Unidos ao longo de todo o século XX.

Mas há grandes músicos brancos, sobretudo britânicos, que aderiram ao gênero e o fizeram com dignidade. Mayall, Clapton, os Stones. A lista é grande.

Digo isso porque lembro, agora, de uma sequência do documentário Shine a Light. Traz os Rolling Stones captados por Martin Scorsese num show em Nova York.

Há um momento do filme em que os Rolling Stones recebem no palco um dos seus convidados. É o guitarrista Buddy Guy, à época - 2006 - com 70 anos.

Buddy Guy, acompanhado por sua Fender Strato branca, cheia de bolinhas pretas, canta o blues Champagne and Reefer. Traduzindo, champanhe e maconha.

Mick Jagger faz um esforço danado, mas quando a câmera enquadra o rosto de Buddy Guy e, segurando a imagem, mantém o primeiro plano, aí, não tem pra ninguém.

É o instante em que você constata, sem qualquer dúvida, que brancos como os Stones podem até ser bons no blues, mas que não há ninguém como os pretos.

Os pretos são os inventores, os donos, os mestres absolutos. Como Buddy Guy, músico que nasceu na Louisiana em 30 de julho de 1936 e agora chega aos 90 anos.

Buddy Guy nasceu em Lettsworth, na Louisiana, mas se fez em Chicago, grande centro onde um tipo de blues - mais urbano do que rural - se consolidou.

Muddy Waters, que era de 1913, e Howlin' Wolf, que era de 1910, também se fizeram em Chicago e, mais velhos, foram referências básicas para Buddy Guy.

Waters, 23 anos mais velho. Wolf, 26. Champagne and Reefer, que vemos Buddy Guy cantar e tocar com os Rolling Stones, é do repertório de Muddy Waters.

Buddy Guy tocava na noite e era músico de sessão nos estúdios da Chess Records. É ele que acompanha Muddy Waters no extraordinário Folk Singer, de 1964.

Já passava dos 30 anos quando, afinal, conseguiu lançar seu primeiro disco solo, I Left My Blues in San Francisco. Com o selo da Chess Records, o álbum é de 1967.


					Buddy Guy, 90 anos

A parceria da guitarra de Buddy Guy com a gaita de Junior Wells produziu, em 1972, um dos grandes discos do blues: Buddy Guy & Junior Wells Play the Blues.

Mas os anos 1970 e 1980 não foram bons para Buddy Guy. Ele só teve o merecido reconhecimento quando ressurgiu, já como uma lenda, nos anos 1990.


					Buddy Guy, 90 anos

Damm Right, I've Got the Blues é de 1991. É um disco excepcional, imprescindível. Um dos muitos grandes álbuns que Buddy Guy seguiu gravando de lá para cá.

O blues magnetiza o ouvinte. A música de Buddy Guy, igualmente, magnetiza o ouvinte. Vez por outra é acústica, mas quase sempre é elétrica, muito elétrica e pesada.

Buddy Guy é um extraordinário guitarrista de blues. Buddy Guy é um extraordinário cantor de blues. Poucos se debruçaram sobre o gênero com o seu talento.

Os maiores mestres do blues morreram. Buddy Guy está vivo e ativo aos 90 anos. Festejemos ouvindo sua música. Entre os vivos, ninguém é tão grande quanto ele.

Imagem ilustrativa da imagem Buddy Guy, 90 anos

Silvio Osias

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