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ESPAÇO OPINIÃO

Novo 'Homem-Aranha' reapresenta herói mais maduro em melhor filme da franquia

'Homem-Aranha: Um novo dia' nos apresenta um bom exemplo da palavra “adaptação” na prática.

Publicado em 30/07/2026 às 18:52


					Novo 'Homem-Aranha' reapresenta herói mais maduro em melhor filme da franquia
Tom Holland é o ator que interpreta Peter Parker por mais tempo nas telonas.. Reprodução

O novo filme da franquia Homem-Aranha, “Um novo dia”, chega aos cinemas de todo mundo com a missão de coroar Tom Holland como o ator que por mais tempo interpreta o personagem de Peter Parker nos cinemas e, ao mesmo tempo, mostrar o vigor em continuar vestindo o manto do cabeça de teia por mais alguns bons anos dentro do Universo Marvel nos cinemas. Sendo assim, os envolvidos podem se considerar com a missão (muito bem) cumprida!

Depois de uma trilogia nas mãos de Jon Watts, a saga troca de comando e a quarta aventura do personagem com essa roupagem é dirigida por Destin Daniel Cretton, cujo currículo é modesto mas pode ostentar um dos poucos acertos da Marvel desde 2019, o divertido “Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis”. O diretor traz um frescor diferente para o Homem-Aranha, com uma preocupação a mais com a estética e a montagem das cenas - conceitos que formam a base de todos os clássicos, mas por vezes negligenciados em longas de ação, principalmente no mundo dos super-heróis.

Em seus 140 minutos, a aventura nos apresenta um bom exemplo da palavra “adaptação” na prática. Enquanto os quadrinhos podem viver por anos num mesmo período de tempo, para seguir a franquia no cinema com os mesmos protagonistas eles precisam evoluir e envelhecer aos olhos do público. O trio Peter, MJ e Ned aparecem aqui, pela primeira vez, como adultos. Como tais, eles sentem, agem e se divertem. Assim como estão sendo apresentados para um novo público, como é a ideia nessa nova sequência de filmes que o herói deve receber, também estão se conhecendo de novo na trama - não só devido às consequências da história passada, mas porque já são pessoas diferentes, com outras vivências e traços de personalidade, mesmo que sem perderem suas essências.

A trama se preocupa em contar uma história que é mais interna do que externa. Em meio a lutas, investigações e embates diretos com forças até então desconhecidas dentro do MCU, Peter Parker precisa aceitar suas inseguranças, seus medos e entender que a única forma de reencontrar as pessoas que perdeu ao longo do caminho é através de uma conexão mais profunda e verdadeira consigo. O roteiro não se preocupa em verbalizar todos os conflitos nem suas soluções. Por vezes, a virada de um personagem vem na forma de um olhar ou um silêncio bem colocado. Há cinco anos, a franquia virou meme nas redes sociais por espetacularizar diversos momentos do filme, “forçando” reações - em comparação, uma mudança drástica de tom.

Esse talvez seja o melhor filme lançado pela Marvel desde 'Vingadores: Ultimato''. Uma frase que, por maiores que sejam os méritos do Homem-Aranha, fala mais sobre a sequência de filmes que a produtora tem lançado do que apenas das qualidades da trama aqui em discussão. Aliás, a experiência pode ser mais uma camada de aprendizado de humildade para a produtora. Nos últimos anos, os maiores (e melhores) filmes lançados tiveram mãos fortes de produtores além dos chefes da Marvel e Disney: 'Deadpool e Wolverine' (2024) e 'Homem-Aranha: Um novo dia' (2026).

Apostando na integração dos personagens, 'Um novo dia' consegue dar o pontapé num novo capítulo da Marvel enquanto reafirma o papel de liderança dos Novos Vingadores enquanto reforça a importância dos antigos membros da equipe, traz mais uma vez pro cinema os personagens mais periféricos desse universo (primeiro o Demolidor, agora o Justiceiro) e consegue fazer uma boa administração dos tempos destinados a cada um desses personagens e não esquecer em momento nenhum quem é seu protagonista e onde está a cabeça e o coração dele.

“Homem-Aranha: Um novo dia” é um filme que não têm spoiler. Ou pelo menos, não há spoiler que consiga atrapalhar a experiência do espectador. Assim como a jornada do herói, o público pode se relacionar com o filme numa camada mais interna, sem se preocupar com grandes reviravoltas bruscas e surpresas com padrões de expectativas inalcançáveis. Talvez essa seja a última grande lição do longa sobre a vida, que ensina ao seu espectador assim como ensina seus personagens em amadurecimento: precisamos aproveitar o hoje e o agora, sem medo do presente e sem uma dependência exagerada pelo que virá a seguir. Conselho a ser seguido por nós e, se tudo der certo, pela Marvel!

* Guilherme Bezerra é jornalista e repórter na rádio CBN Paraíba

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Jhonathan Oliveira

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