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POLÍTICA

Opinião: Efraim dobra aposta na direita ao escolher vice

Movimento sinaliza que prioridade, neste momento, é consolidar voto conservador e crescer no primeiro turno.

Publicado em 02/08/2026 às 22:14 | Atualizado em 03/08/2026 às 11:19


					Opinião: Efraim dobra aposta na direita ao escolher vice
(Foto / Reprodução)

Quando muitos esperavam um movimento em direção ao centro, o senador Efraim Filho (PL) escolheu virar à direita mais uma vez. A convenção que oficializou a candidatura dele ao Governo da Paraíba, neste domingo (02), mostrou que, contrariando a lógica usual de buscar os independentes, ele optou por engajar com mais força o eleitor do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Os indícios foram claros. A convenção foi marcada por um discurso típico do voto conservador: ênfase em segurança pública, redução de impostos, críticas às pautas identitárias e ao aborto, além da presença do presidenciável Flávio Bolsonaro. A evidência mais eloquente, no entanto, foi a opção pela vice.

O senador escolheu a esposa do deputado federal Cabo Gilberto para compor a chapa majoritária. Nayana Pontes é advogada de Campina Grande e uma ativista conservadora conhecida na direita pelo engajamento nas redes sociais durante a eleição presidencial de Bolsonaro, em 2018.

A pergunta é inevitável: trata-se de uma escolha acertada ou de um risco eleitoral? A resposta depende de quem faça a avaliação. Mas, com segurança, só as urnas poderão dizer. Ainda assim, a escolha parece ter um sentido estratégico.

É que, muito embora precise avançar para o eleitorado moderado se quiser vencer a eleição, a tarefa imediata de Efraim é crescer no primeiro turno das eleições. Neste momento, é o eleitorado conservador quem pode garantir esse crescimento, pois o teto ainda não foi atingido.

Uma escolha de centro ou com menor identidade bolsonarista poderia agregar votos e ampliar o apelo conceitual. Mas seria esse o passaporte para avançar além do primeiro turno?

Nesta altura do campeonato, Efraim ainda não conquistou todo o eleitorado de Bolsonaro na Paraíba - que em 2022 foi de cerca de 800 mil votos, segundo levantamentos internos e a percepção de muitos que observam a política estadual. A vice bolsonarista, assim, tende a ajudar neste desafio.

Não há garantias que o senador conquistará a mesma votação de Bolsononaro na Paraíba. Ainda assim, a estratégia de engajar o eleitor do ex-presidente parece fazer sentido. Se o caminho foi correto, somente as urnas dirão em outubro.

Imagem

Felipe Nunes

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