PLENO PODER
Principais chapas majoritárias da Paraíba transformam candidaturas em arranjos familiares
Cícero, Efraim e Lucas têm familiares participando da disputa majoritária estadual
Publicado em 11/08/2026 às 17:22 | Atualizado em 11/08/2026 às 17:34

Com o anúncio feito nesta terça-feira (11) dos nomes da vice de Lucas Ribeiro (PP) e dos suplentes do ex-governador João Azevêdo (PSB), a Paraíba tem 6 chapas majoritárias disputando o Governo e o Senado Federal. Três delas, inegavelmente, com maior robustez, encabeçadas pelo ex-prefeito Cícero Lucena (MDB), pelo senador Efraim Filho (PL) e pelo governador Lucas Ribeiro (PP).
Além de mais apoiadores e recursos para financiar as campanhas, os três grupos têm um elemento comum: a presença de parentes dos candidatos ao Governo disputando espaços de poder no Legislativo; além de familiares de políticos tradicionais, também incluídos nas chapas majoritárias.
A prática, bastante conhecida na política paraibana, do 'familismo' - que às vezes transforma as disputas em arranjos familiares.
Pois bem. Vejamos:
Na chapa emedebista, capitaneada por Cícero Lucena, a filha dele Janine Lucena disputará a 1ª suplência do Senado, ao lado do senador Veneziano Vital (MDB). Além disso, a 1ª suplência do candidato André Gadelha (MDB) é ocupada pela vereadora Ivonete Ludgério, que vem a ser esposa do deputado Manoel Ludgério - também aliado do grupo. Dentro do MDB a esposa de Veneziano, Ana Cláudia Vital, também está na disputa por uma vaga na Assembleia.
Já a chapa liderada Efraim também é composta por parentes. A esposa do senador, Carol Morais, disputará a 2ª suplência do ex-ministro da Saúde, Marcelo Queiroga (PL). Para a vice de Efraim, por sua vez, foi escolhida Nayanna Pontes (PL), esposa do deputado federal Cabo Gilberto (PL). No Legislativo, uma das principais apostas do PL é o irmão de Efraim, o deputado estadual George Morais, que buscará uma vaga em Brasília.
No grupo governista também é possível encontrar familiares. A mãe do governador Lucas Ribeiro, a senadora Daniella Ribeiro (PP), será a 1ª suplente do ex-prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Rep). O ex-prefeito patoense, por sua vez, terá dois filhos (Hugo Motta e Olívia Motta) disputando vagas na Câmara Federal e Assembleia.
Na vice de Lucas estará a esposa do deputado federal Damião Feliciano (UB), a ex-vice Lígia Feliciano (UB).
A 1ª suplência do ex-governador João Azevêdo (PSB) será ocupada pelo deputado estadual Chico Mendes (PSB). Ele aceitou o convite, mas deixará em seu lugar, para manter a vaga na Assembleia, a esposa - a empresária Nil Mendes. Ainda no Legislativo o tio de Lucas, Aguinaldo Ribeiro (PP), vai tentar a reeleição na Câmara Federal, assim como Damião Feliciano, esposo de Lígia.
Análise
O fato de parentes de políticos - das 3 principais chapas - estarem na disputa por espaços de poder não significa, necessariamente, que essas pessoas não tenham capacidade e/ou aptidões para o exercício dos cargos, caso sejam eleitas.
Em muitos casos o parentesco não é o único atributo dessas candidaturas. E a prática do 'familismo', diga-se de passagem, não é uma realidade única da Paraíba. No país inteiro a classe política busca construir herdeiros das trajetórias percorridas pelos seus principais líderes.
No entanto, é necessário reconhecer que essas escolhas, em excesso, prejudicam o surgimento de novos nomes e, mais do que isso, revelam como a política em solo paraibano ainda é pensada como no início do século passado. Como uma atividade de 'família', mantida através de arranjos de parentesco.
Algo bem característico do que, costumeiramente, entende-se por "velha política". Um fenômeno prejudicial à alternância de poder e à própria democracia.

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