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SILVIO OSIAS

A Odisseia: gostei, mas não me empolguei

Filme de Christopher Nolan dá saudade de grandes filmes épicos do passado.

Publicado em 18/08/2026 às 6:55


					A Odisseia: gostei, mas não me empolguei

Os Dez Mandamentos é de 1956. Direção de Cecil B. DeMille. Charlton Heston faz Moisés. O filme tem três horas e cinquenta minutos de duração.

Ben-Hur é de 1959. Direção de William Wyler. Charlton Heston é o príncipe judeu Judah Ben-Hur. O filme tem três horas e quarenta minutos de duração.

Spartacus é de 1960. Direção de Stanley Kubrick. Além de produtor, Kirk Douglas é Espártaco. O filme tem três horas e vinte minutos de duração.

El Cid é de 1961. Direção de Anthony Mann. Charlton Heston é Rodrigo Diaz de Vivaz, o guerreiro e herói espanhol. O filme tem três horas de duração.

Lawrence da Arábia é de 1962. Direção de David Lean. Peter O'Toole é o militar britânico T.E. Lawrence. O filme tem três horas e cinquenta minutos de duração.

Este é meu top 5 de filmes épicos. Vi todos eles na infância e revi algumas vezes já adulto. Faço a lista depois de ver A Odisseia, de Christopher Nolan.

A primeira lembrança que tenho da guerra de Troia é de 1967. Foi tema de um dos episódios da série televisiva O Túnel do Tempo. Eu tinha oito anos.

No episódio, os dois cientistas perdidos no tempo iam parar em Troia, viam o cavalo, eram confundidos com deuses e ajudavam Ulisses (ou Odisseu).

O episódio, na tradução exibida pela televisão brasileira, se chamava Presente de Grego. No original, em inglês, o título era Revange of the Gods.

O episódio do Túnel do Tempo foi o que despertou meu interesse pela mitologia greco-romana. A partir daí, meu pai me apresentou a esse universo.

Já a palavra odisseia que entrou definitivamente em minha vida não era a de Homero. Foi em 1969, quando, aos 10 anos, vi 2001: Uma Odisseia no Espaço.

Li A Odisseia na juventude. Não sei em que tradução. Foi uma leitura que me parecia obrigatória, mas achei árida demais. Certamente, me faltava maturidade.

Por mais de uma vez, já li a história que Homero conta em versos transformada em texto em prosa, nesses livros - bons ou ruins - sobre a mitologia.

Fui ao cinema ver A Odisseia, de Christopher Nolan, menos pelo desejo real de conhecer o filme e mais pelo fato de que assino uma coluna de perfil cultural.

Christopher Nolan, britânico, 56 anos, é um dos grandes nomes do cinema neste primeiro quarto do século XXI. Mas confesso que seus filmes não me arrebatam.

Gosto muito de Oppenheimer e de Dunkirk. Belo filme de ficção-científica, Interstellar não chega nem perto do 2001 de Kubrick, obra-prima absoluta do gênero.

Batman, O Cavaleiro das Trevas sempre me pareceu superestimado. Apesar do incrível Coringa de Heath Ledger, prefiro Batman sob Tim Burton nos anos 1980/90.

E A Odisseia? Bem, é Christopher Nolan sendo Christopher Nolan, com seu talento e sua inconfundível assinatura de homem da indústria do cinema do século XXI.

Um orçamento gigantesco, um elenco de grandes nomes, uma fotografia belíssima e, por consequência, um espetáculo que leva multidões aos cinemas.

É um épico que carrega não somente a assinatura do seu realizador, mas, sobretudo, o modo atual de se fazer grandes filmes para atrair grandes plateias.

Uma observação: o cavalo à beira-mar - imagem estranhamente bela - me trouxe a lembrança da Estátua da Liberdade em O Planeta dos Macacos de 1968.


					A Odisseia: gostei, mas não me empolguei
Foto/Reprodução

Se o desfecho de O Planeta dos Macacos serviu de inspiração, ponto para A Odisseia. De todo modo, nunca houve um cavalo de Troia como o que Nolan nos traz.

O Odisseu de Matt Damon é bom, mas empalidece se pensarmos no Heston sob DeMille, Wyler ou Mann, no Douglas sob Kubrick ou no O'Toole sob Lean.

Vi A Odisseia e tive saudades dos velhos épicos que menciono no início da coluna. Deve ser um problema geracional. Gostei de A Odisseia, mas não me empolguei.

Imagem ilustrativa da imagem A Odisseia: gostei, mas não me empolguei

Silvio Osias

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