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SILVIO OSIAS

La La Land pode ser fofo, mas não passa disso!

Musical está de volta nos 10 anos da sua estreia.

Publicado em 26/08/2026 às 6:02


					La La Land pode ser fofo, mas não passa disso!

La La Land, Cantando Estações voltou aos cinemas. O relançamento é em comemoração aos 10 anos da estreia desse musical dirigido por Damien Chazalle.

Não gosto de La La Land. Na coluna desta quarta-feira, 26 de agosto de 2026, resgato e junto dois textos que escrevi sobre o filme na época da sua estreia.

Ao sair do cinema, me perguntei pelo último grande (grande mesmo!) musical que vi. Foi All That Jazz, de Bob Fosse. É do tempo em que o gênero experimentou alguma revitalização.

Pensei nisso porque tenho visto pessoas identificarem em La La Land um renascimento do musical. Pode até ser, mas precisaremos de tempo para que a avaliação seja feita.

Por enquanto, penso que há uma supervalorização.La La Land é um bom filme? Diria que é fofo! Mas o tributo ao gênero, com incontáveis citações, me soa artificial e excessivo.

E, pelo que tenho visto, fascina mais a quem não ama o gênero. "Não gosto de musicais, detesto esses diálogos cantados, mas adorei La La Land" - é o que as pessoas têm dito.

Pois eu adoro os musicais clássicos do cinema, não tenho nenhum problema com diálogos cantados e não vi nada de excepcional em La La Land.

Cada citação me dava saudade do original, acentuava a fragilidade do filme. Saí do cinema pensando assim:

La La Land não vale o dó-ré-mi da Noviça Rebelde! Ou o mambo de West Side Story! Ou a sequência em que Gene Kelly desvenda os segredos do estúdio para Debbie Reynolds em Cantando na Chuva!

Aí me dei conta de que estava era sendo injusto com filmes intocáveis! Com clássicos absolutos de um dos grandes gêneros do cinema! E parei com a brincadeira!

Mas termino com uma torcida: que La La Land, ao menos, motive quem odeia os musicais a tentar amá-los!

*****

Há alguns poucos anos, nos bastidores de uma emissora de televisão, um cara da área artística me disse que usaria um elemento novíssimo na gravação de uma chamada institucional. Novíssimo e já muito em voga.

Quis saber que novidade era essa, e ele respondeu: o plano sequência. Fiquei tão sem jeito que respondi com o silêncio.

Lembrei disso ouvindo entusiastas de La La Land num papo divertido e interminável. Perguntei o que há de tão magistral na sequência de abertura.

A resposta mais frequente: o uso do plano sequência enquanto as pessoas cantam e dançam na rua, entre os carros!

A um deles, perguntei se conhecia Festim Diabólico, de Hitchcock, e ele disse que não. Mas conhece A Marca da Maldade, de Welles? Também não! E Passageiro, Profissão: Repórter, de Antonioni? Não! E O Jogador, de Altman? Não!

OK! Descobrira plano sequência na abertura de Gravidade!

De outro, ouvi que o que há de absolutamente genial no início de La La Land é que o espectador acompanha um pouco da história da mocinha e depois volta para acompanhar a do rapaz. Depois, claro, daquele número musical "falso jazz" (o "falso jazz" é meu!) no meio da rua.

Você já imaginou o quanto isso tem de inovador? Iniciar a narrativa acompanhando o dia de um personagem e depois voltar um pouquinho no tempo para acompanhar o dia de outro? Foi o que ouvi! Sério!

Lembrei do Grande Golpe, de Kubrick. É todo assim. Ou do Jackie Brown, de Tarantino. Tem um trecho assim. Ou da despedida de Lumet em Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto. Retoma magistralmente o elemento narrativo que Kubrick usou nos anos 1950. Não conhecia nenhum deles, me confessou o entusiasta de La La Land!

Mais um me disse que teve vontade de sair pulando dentro da sala escura quando viu todos em círculo dançando e cantando em volta de alguém. Pois é!

Tal como o Cristo de Superstar troca de roupa, de hippie para Jesus, cercado pelo elenco, na abertura do filme de Jewison. Mas, aí, há de ser uma das inúmeras homenagens de La La Land ao gênero musical.

Estou preocupado! O defeito há de ser meu! Não consigo entender esse fenômeno chamado La La Land!

Imagem ilustrativa da imagem La La Land pode ser fofo, mas não passa disso!

Silvio Osias

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