COTIDIANO
55 anos do Jornal da Paraíba: veja como a memória do impresso é preservada
Projeto iniciado em 2025 reorganiza exemplares impressos do jornal, enquanto as edições históricas também podem ser consultadas em formato digital.
Publicado em 05/09/2026 às 12:29 | Atualizado em 05/09/2026 às 12:59

O Jornal da Paraíba completa 55 anos neste sábado (5), cinco décadas e meia depois da primeira edição, publicada em 5 de setembro de 1971, em Campina Grande. A história do veículo passa pela mudança do semanário para o diário, pela expansão para outras regiões da Paraíba e pela migração do impresso para o ambiente digital.
A notícia, hoje, chega pela tela. Mas as páginas que ajudaram a contar a história do jornal continuam existindo.
Desde maio de 2025, o Centro de Documentação da Rede Paraíba (Cedoc), desenvolve o projeto Acervo Jornal da Paraíba, voltado para a reorganização dos exemplares impressos guardados desde a fundação. O trabalho busca dar outra forma de cuidado ao que já foi uma das principais formas de acesso à informação: o jornal de papel.
A digitalização do Jornal da Paraíba
O Jornal da Paraíba nasceu em 5 de setembro de 1971, em Campina Grande, a partir da iniciativa de 12 empresários locais, entre eles José Carlos da Silva Júnior. O jornal começou como semanário e, com o passar dos anos, passou a circular diariamente e ampliou sua cobertura para outras regiões da Paraíba.
José Carlos da Silva Júnior assumiu posteriormente o comando do jornal, que, no início dos anos 2000, passou a ter atuação estadual e se tornou o ponto de partida da Rede Paraíba de Comunicação.
Ao longo dessa trajetória, o Jornal da Paraíba também mudou a forma de chegar aos leitores. A digitalização do acervo do Jornal da Paraíba começou em 2012. Na época, o projeto tinha como objetivo colocar na internet as edições publicadas desde a primeira, em 1971. O trabalho envolvia mais de 100 mil páginas.
O processo era feito página por página. Cada uma era fotografada, recebia tratamento de imagem e era transformada em um documento digital. Depois, um sistema de reconhecimento de caracteres permitia pesquisar palavras e informações dentro das edições.
As páginas eram reunidas, revisadas e disponibilizadas na internet.
Em 2013, parte do material já podia ser consultada online. O processo permitiu que edições publicadas décadas antes deixassem de depender exclusivamente dos exemplares físicos para serem encontradas.
Três anos depois, em 10 de abril de 2016, o Jornal da Paraíba deixou de circular em papel e passou a ser publicado exclusivamente em formato digital.
Preservar o jornal também é preservar a memória

Mesmo depois da digitalização, os jornais físicos continuam existindo. São exemplares produzidos em diferentes períodos e que carregam, além das informações publicadas, as marcas do próprio tempo em que foram produzidos.
O projeto Acervo Jornal da Paraíba trabalha justamente com esse material. A proposta é retirar os impressos de uma organização inadequada e criar uma forma de guarda que ajude a conservar os exemplares e permita o acesso ao conteúdo.
Vanessa Santana, bibliotecária e responsável pelo acervo do Jornal da Paraíba, explica que a iniciativa busca reorganizar os impressos desde 1971.
“O projeto de conservação e restauro do Jornal da Paraíba representa um passo essencial na preservação da memória documental do estado. Com base em princípios técnicos e metodológicos sólidos, pretende-se garantir a longevidade do acervo, promover o acesso público à informação e contribuir para o fortalecimento das políticas de preservação cultural. A continuidade das ações reforça a importância da conservação de acervos como parte integrante da valorização da história paraibana”, explica.

Páginas que registraram história da Paraíba

Ao longo de 55 anos, o Jornal da Paraíba não registrou apenas a rotina das cidades. Suas páginas acompanharam eleições, conflitos políticos, acontecimentos nacionais com impacto no estado, períodos de seca, episódios de violência e personagens que marcaram a cultura paraibana.
Entrevista após subir dez andares
Nas eleições de 2008, por exemplo, um repórter da equipe acompanhou a reeleição de Veneziano Vital do Rêgo para a Prefeitura de Campina Grande. Depois do resultado, o jornalista subiu mais de dez andares pelas escadas de um prédio para conseguir entrevistar o prefeito reeleito. A conversa virou a manchete da edição seguinte.
Chacina do Rangel
Em 2009, o jornal também acompanhou a Chacina do Rangel, em João Pessoa, crime que matou cinco pessoas da mesma família. No ano seguinte, o veículo publicou entrevista com um dos acusados e produziu uma cobertura do julgamento, com reportagem explicando ao leitor como funcionaria o júri popular.
Pior seca em 50 anos
Em 2013, a estiagem que atingia o interior da Paraíba virou tema de uma série especial do Jornal da Paraíba. Para mostrar o impacto da falta de chuva, uma equipe percorreu 1,5 mil quilômetros durante três dias. O caminho passou por oito cidades do Sertão e do Cariri. A proposta era sair da redação e acompanhar de perto como a estiagem estava afetando a vida das pessoas
50 anos do golpe militar contados por quem viveu a ditadura
Outro registro foi o caderno especial publicado em 2014 sobre os 50 anos do golpe militar. O Jornal da Paraíba reuniu relatos de pessoas perseguidas durante a ditadura, entre elas os atores Zezita Matos e Fernando Teixeira e a líder camponesa Elizabeth Teixeira. As reportagens também abordaram as perseguições sofridas por estudantes, jornalistas, políticos, artistas e camponeses na Paraíba.
Jornal da Paraíba nas redes sociais
Se parte da história do Jornal da Paraíba permanece guardada nas páginas impressas, o presente acontece em outro lugar. Hoje, a notícia chega pela tela do celular, aparece na timeline das redes sociais e pode ser compartilhada em poucos segundos. O jornal deixou o papel, mas continua presente no cotidiano dos leitores.
Essa mudança começou antes mesmo do fim da edição impressa. O Jornal da Paraíba já utilizava plataformas digitais para distribuir seu conteúdo e, em 2016, passou a levar notícias também pelo Facebook e pelo Instagram.
O perfil @jornaldapb, ativo no Instagram desde abril de 2016, segue hoje com mais de 153mil seguidores. Hoje, o conteúdo circula pelas redes e chega aos leitores por diferentes caminhos, mantendo a informação em movimento.

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