COTIDIANO
Coco de Roda da Paraíba chega à Europa em setembro com coletivo paraibano
Manifestação da cultura popular paraibana será apresentada na Europa com shows, oficinas e rodas de conversa.
Publicado em 07/09/2026 às 13:31

O coco de roda paraibano vai atravessar o oceano. A manifestação, marcada pelo ritmo dos tambores, pandeiros, ganzás e pelas rodas de dança, será levada por artistas da Paraíba para Espanha e Portugal, onde será apresentada em uma programação que também prevê oficinas, rodas de conversa e exibição de produções audiovisuais.
A circulação internacional é realizada por integrantes do coletivo Raízes da Cultura Popular, formado por artistas ligados à pesquisa e à valorização das manifestações tradicionais. Participam da iniciativa o artista Presto do Coco, a cantora e compositora Clara Potiguara e a produtora cultural e batuqueira Monique Melo.
O projeto foi contemplado por um edital de fomento à cultura do Governo da Paraíba, que tem entre os objetivos promover a circulação de artistas e manifestações culturais paraibanas fora do país.
Além do forró

Embora o forró seja uma das principais expressões culturais da Paraíba reconhecidas internacionalmente, os artistas envolvidos no projeto defendem que o coco de roda também tem características próprias e merece ocupar esse espaço.
Presto explica que, durante muito tempo, o coco acabou sendo associado ou tratado como uma vertente de outros gêneros da música brasileira.
“Então, acredito que é isso, é incluir o coco de roda dentro desse nicho de música que é exportada também”, afirma.
Para o artista, a manifestação possui suas próprias formas de criação e características musicais. Ele também destaca que não existe apenas um tipo de coco de roda.
“Não existe só um tipo de coco de roda, não é feito de uma só forma, é tão plural quanto forró, tão plural quanto outros brinquedos de cultura popular”, diz.
Histórias que atravessam fronteiras

A viagem para a Europa pretende levar mais do que apresentações musicais. A proposta é compartilhar saberes, tradições e histórias relacionadas à cultura popular paraibana e, ao mesmo tempo, estabelecer contato com artistas e públicos dos dois países.
A programação inclui shows e oficinas de coco de roda, além de rodas de conversa, exibição de videoclipes e de uma reportagem especial produzida pelo coletivo.
Para os artistas, o coco também funciona como uma maneira de preservar e transmitir histórias.
“Para mim, o coco de roda, acima de tudo, é uma maneira de contar história”, afirma o artista.
A expectativa é apresentar essa linguagem a pessoas que já conhecem alguma manifestação da cultura brasileira e também a um público que ainda não teve contato com o coco de roda.
“Acham que o Brasil é samba, forró, carnaval e pronto. E a gente é um país tão multicultural, com tantas linguagens distintas”, destaca.
Troca cultural
Além de mostrar a produção paraibana no exterior, a circulação pretende criar pontes entre culturas. A ideia é que as apresentações não sejam apenas uma demonstração da tradição paraibana, mas uma oportunidade para compartilhar experiências com os públicos e artistas encontrados durante a viagem.
O Presto também destaca a importância dos editais públicos para permitir que artistas da cultura popular, especialmente aqueles que atuam em comunidades periféricas e fora dos grandes circuitos culturais, tenham acesso a oportunidades de circulação.
“Acesso, globalização, mas principalmente distribuição democrática de recursos públicos para os fazedores de cultura de base”, afirma Presto.

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