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EDUCAÇÃO

Estudar com IA: veja como revisar conteúdos, treinar questões e entender erros

Estudar com IA pode ajudar a revisar conteúdos, treinar questões e entender erros durante a preparação para o Enem 2026.

Publicado em 11/09/2026 às 6:27


					Estudar com IA: veja como revisar conteúdos, treinar questões e entender erros
Estudar com IA: veja como revisar conteúdos, treinar questões e entender seus erros. Banco de imagens / Freepik

Estudar com IA pode ajudar na preparação para o Enem 2026, seja para revisar conteúdos, treinar questões ou descobrir onde estão as maiores dificuldades. Mas tem um detalhe importante: a tecnologia pode apoiar os estudos, mas não deve fazer o trabalho no lugar do estudante.

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Para entender como usar a ferramenta nos estudos sem deixar de lado o próprio esforço, o Lá Vem o Enem conversou com Adriano Silveira, professor de Filosofia e Inteligência Artificial (IA). Segundo ele, a tecnologia pode ajudar o estudante a pensar, testar conhecimentos e identificar as próprias dificuldades, mas não deve substituir o processo de aprendizagem.

Como estudar com IA para o Enem

Segundo Adriano, a inteligência artificial pode funcionar como uma espécie de tutor disponível a qualquer hora. A ferramenta pode explicar o mesmo assunto de maneiras diferentes, criar exercícios, organizar revisões e resumir textos.

Na prática, o estudante pode usar a IA para:

  • pedir uma explicação mais simples ou mais aprofundada;
  • criar questões sobre um conteúdo;
  • montar uma revisão;
  • identificar assuntos em que está errando;
  • entender o raciocínio por trás de uma questão;
  • receber sugestões para melhorar uma redação.

“No ensino de filosofia que ministro, tenho visto que o maior ganho não está em respostas prontas, mas na possibilidade de o aluno testar seu raciocínio em tempo real. Isso tem um valor pedagógico enorme, porque parte da dificuldade de aprender é justamente a vergonha de não saber”, explicou.

Para o professor, esse tipo de uso permite que o estudante tire dúvidas e teste o próprio raciocínio sem precisar esperar por outro momento para descobrir onde está a dificuldade.

Uma das possibilidades é usar a tecnologia para acompanhar os erros cometidos em simulados e questões.

O estudante pode fazer um simulado diagnóstico, registrar os resultados e pedir à IA para organizar os erros por assunto. Com o acompanhamento ao longo das semanas, podem aparecer padrões de dificuldade.

Em vez de concluir apenas que “sou ruim em matemática”, por exemplo, o estudante pode perceber que seus erros estão concentrados em um conteúdo específico, como geometria espacial.

"A IA pode ajudar a manter esse registro e a atualizar as prioridades de revisão. O cuidado aqui é não terceirizar completamente esse diagnóstico: o estudante precisa continuar olhando para os próprios erros, porque é nesse olhar que a aprendizagem de fato se consolida", disse.

Qual é a diferença entre pedir a resposta e entender o erro?

É aqui que o jeito de estudar com IA faz diferença.

Em vez de perguntar somente qual é a alternativa correta, o estudante pode explicar o caminho que seguiu e pedir para a ferramenta apontar onde o raciocínio deu errado.

O professor sugere comandos como:

“Eu escolhi a alternativa C porque pensei assim, explique por que meu raciocínio está errado” ou “compare por que as alternativas A e D parecem certas mas não são”.

A proposta é fazer o estudante pensar antes de receber a explicação. Dessa forma, a IA entra como mediadora do estudo, e não como substituta do esforço necessário para aprender.

"É basicamente reproduzir, com a máquina, o método socrático: não entregar a verdade de cima para baixo, mas fazer perguntas que revelem onde o pensamento tropeçou. Um aluno que só pergunta "qual é a resposta" está construindo um hábito de dependência. Um aluno que pergunta "onde eu errei e por quê" está construindo autonomia", destaca o professor.

Além disso estudar com IA também exige atenção para não criar a sensação de que um conteúdo foi aprendido só porque a explicação pareceu fácil de entender. Adriano chama isso de “ilusão de fluência”: o estudante reconhece uma resposta quando lê, mas pode não conseguir produzir o conhecimento sozinho durante a prova, que acontece sem consulta. Por isso, ele destaca que aprender também envolve errar, ter dúvidas e tentar novamente, sem entregar todo esse processo para a tecnologia.

“Quando a resposta está sempre a um clique de distância, o estudante pode desenvolver o que os psicólogos chamam de ilusão de fluência: a sensação de que entendeu algo porque a explicação fez sentido no momento em que foi lida, sem que esse conhecimento tenha sido efetivamente construído e testado pela própria cabeça. [...] Um estudante que evita sistematicamente esse desconforto, terceirizando-o para a IA, chega ao dia da prova com a sensação de domínio, mas sem o domínio em si. E isso costuma aparecer exatamente na hora errada”, afirmou.

Quais ferramentas devo usar?

Adriano cita ChatGPT, Gemini e NotebookLM como exemplos de ferramentas que podem cumprir funções diferentes na rotina de estudos.

Assistentes como ChatGPT e Gemini podem ser usados para explicar conteúdos, simular questões e revisar redações. Já ferramentas de organização de anotações, como o NotebookLM, podem ajudar a reunir e consultar materiais.

Para o professor, a questão principal não é escolher uma única ferramenta, mas entender para que cada uma pode ser usada dentro da rotina que o estudante já possui.

Cuidado para não deixar a IA estudar por você

Usar inteligência artificial para estudar é diferente de pedir que ela faça toda a atividade.

Quando o estudante acompanha o processo, pensa, erra e tenta corrigir, ele continua participando da aprendizagem. Já quando apenas copia uma resposta pronta, o conteúdo pode até parecer resolvido, mas o exercício que deveria desenvolver aquela habilidade não aconteceu.

“Existe, e é uma diferença de natureza, não de grau. Quando o estudante usa a IA para aprender, ele permanece como sujeito do processo é ele quem pensa, quem erra, quem ajusta, e a IA entra como mediadora desse esforço”.

Por isso, no Enem, a ferramenta não substitui a preparação. A prova exige que o estudante consiga interpretar, argumentar, relacionar informações e resolver problemas novos.

Como saber se a resposta da IA está certa?

Outro ponto importante de estudar com IA é conferir as informações recebidas.

A inteligência artificial pode errar, inclusive apresentando uma resposta incorreta com segurança. Por isso, Adriano recomenda comparar o conteúdo com materiais didáticos, professores e fontes confiáveis.

Uma estratégia é pedir que a própria ferramenta indique a fonte utilizada e, depois, conferir se aquela fonte existe e se realmente apresenta a informação citada.

Se a resposta for diferente do que o estudante aprendeu em sala, isso também deve ser encarado como um sinal para investigar antes de aceitar o conteúdo.

"É preciso internalizar que a IA erra e erra com a mesma confiança com que acerta, o que é particularmente perigoso para quem ainda está formando o próprio juízo crítico sobre um conteúdo. O antídoto é sempre triangular: cruzar a resposta da IA com o material didático, com o professor, com uma fonte confiável", explicou.

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Janinne Vivian

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