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SILVIO OSIAS

Um desafio violento ao princípio de autoridade

Breves lembranças de uma aventura de amor ao cinema.

Publicado em 16/09/2026 às 6:40


					Um desafio violento ao princípio de autoridade
Foto/Reprodução

Numa mensagem de áudio, o professor Lúcio Vilar, que há mais de duas décadas comanda o Fest Aruanda, me manda uma oportuna "provocação".

Ele me pergunta sobre filmes realizados na paraíba em meados da década de 1970 na bitola Super 8. Por isso, resgato um texto que escrevi há 10 anos.

Em resposta a Lúcio Vilar, trago lembranças de A Guerra Secreta, um curta-metragem em Super 8 realizado por Antônio Barreto Neto em 1975.

Antônio Barreto Neto, nosso melhor crítico de cinema, dirigiu o curta a partir de um roteiro escrito por Marcos Luiz, que era também o produtor do filme.

Marcos Luiz, um jovem funcionário da Caixa Econômica Federal, publicara na época um livro de contos chamado O País dos Esquecidos e queria fazer cinema.

Ele e Carlos Aranha chegaram a trabalhar juntos escrevendo o roteiro de um filme que nunca saiu do papel. O título: O Crime e os Outros Crimes.

A Guerra Secreta contava a história de pessoas que desafiavam de forma violenta o princípio de autoridade. Um filho matava o pai e a mãe, um bancário matava o gerente da agência, um sacristão matava o padre. Entre um crime e outro, as pessoas fugiam da civilização em direção ao mar - uma imagem que tinha algo do cinema de Pasolini.

Waldemar José Solha era o filho que matava os pais (Mário e Vitória Chianca). Marcos Luiz, o bancário que matava o gerente (Petrônio Souto). Meu tio Roberto Osias, o sacristão que matava o padre (Meireles, um colega de trabalho de Barreto).

A cena filmada na casa de Solha foi tão realista que fiquei com a impressão de que Mário e Vitória Chianca saíram realmente machucados. Os filhos de Solha, Dmitri e Andrea, eram duas crianças lindas que atuaram como figurantes.

Eu era o assistente de direção. O fotógrafo foi o nosso querido João Córdula, diretor do Cinema Educativo. O filme não foi concluído, e, anos depois, meu pai, Onildo Lins de Albuquerque, fez uma montagem possível com o material que conseguimos filmar.

A Guerra Secreta ficou na minha memória como uma singela aventura de amor ao cinema comandada por Antônio Barreto Neto. Antes, Barreto concluíra o Super 8 O Estranho Caso de Leila e deixara inacabado Uma Aventura Capitalista. Este, em 16 milímetros.

Imagem ilustrativa da imagem Um desafio violento ao princípio de autoridade

Silvio Osias

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