CONVERSA POLÍTICA
OPINIÃO: avaliação de governo, baixa rejeição e identificação com Lula e João impulsionam Lucas
Quaest aponta retrato da subida de Lucas e da luta dos opositores para conseguir levar a disputa para o segundo turno.
Publicado em 23/09/2026 às 16:04

A nova Quaest trouxe um recado bastante claro para a disputa pelo Governo da Paraíba: Lucas Ribeiro cresceu com bases sólidas.
O governador saiu de 38% em agosto para 49% agora. Onze pontos percentuais em menos de um mês.
Enquanto isso, os dois principais adversários perderam pontos percentuais. Efraim Filho tinha 18% e aparece agora com 16%, dentro da margem de erro. Pode-se se considerar uma oscilação para baixo. Cícero Lucena caiu de 19% para 15%. Os dois seguem tecnicamente empatados.
O ponto, porém, não é apenas o tamanho da vantagem de Lucas. É entender o que está por trás dela.
Há alguns sinais importantes. O primeiro é a avaliação do governo. A gestão tem 64% de aprovação. Além disso, 70% dos entrevistados dizem que João Azevêdo merece eleger o sucessor. É um dado muito forte para quem está no governo.
Lucas, portanto, não está apenas apresentando o próprio nome ao eleitor. Ele está conseguindo, cada vez mais, carregar para a campanha a avaliação positiva do grupo político que governa a Paraíba.
E isso está acontecendo em meio ao bombardeio de críticas dos opositores em entrevistas e debates e diante do recorte das fragilidades do governo, também expostas pelos adversários nas ruas e redes.
Dito isto, há outro movimento que ajuda a explicar o crescimento. Aumentou para 52% o número de paraibanos que identificam Lucas como o candidato de João Azevêdo. E chegou a 38% o percentual dos que o associam ao presidente Lula, como lembrou o CEO da Quaest em entrevista ao JPB1.
E isso parece importar para o eleitor neste momento.
Lucas parece ter avançado justamente nesse processo de identificação.
Há ainda um problema adicional para Cícero e Efraim: a rejeição. Cícero tem 48%. Efraim, 47%. Lucas, 21%. É uma diferença grande. Rejeição não define sozinha uma eleição, claro. Mas estabelece limites. Quanto maior a rejeição, mais difícil é buscar novos eleitores fora do grupo que já está convencido.
E o desafio dos dois hoje é exatamente esse: crescer. Outro dado reforça a percepção de consolidação. Brancos e nulos caíram de 10% para 7%. E 74% dos entrevistados dizem que a decisão já está tomada.
Isso significa que o espaço da disputa está diminuindo. Mas ainda existe. E talvez esteja aí o dado mais importante para a oposição nessa pesquisa.
Na espontânea, quando o entrevistador não apresenta o nome dos candidatos, 42% ainda não sabem em quem votar. É muita gente. Ou seja, de cada 100 eleitores, 40, que não têm os nomes na mão, ainda não sabem o que vão fazer diante da urna. Lucas aparece com 37%, Efraim com 10% e Cícero com 7% (espontânea).
A indecisão caiu, era de 57% em agosto , mas continua elevada. Essa é a janela que resta para Cícero e Efraim.
O problema é que não basta esperar o eleitor indeciso decidir.
Até aqui, a situação conseguiu construir uma narrativa relativamente simples: Lucas é o candidato de João, tem o apoio de Lula (com 60% dos votos no segundo turno), chega à reta final mais conhecido e representa a continuidade de um governo aprovado por boa parte da população.
A oposição ainda precisa encontrar uma mensagem capaz de competir com isso. E precisa fazer rápido. A pesquisa não encerra a eleição. Pesquisa nunca faz isso.
Mas mostra que a disputa mudou de patamar. Cícero e Efraim continuam com espaço para crescer, sobretudo olhando para os 42% que ainda não apontam espontaneamente um candidato. Só que a conta parece mais complexa nesse retrato.
E, a esta altura da campanha, o relógio também começa a entrar nos cálculos.

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