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ESPAÇO OPINIÃO

Os algoritmos vão escolher seu candidato?

Por Jeoás Farias

Publicado em 29/09/2026 às 16:37


					Os algoritmos vão escolher seu candidato?
Foto: Divulgação. Jornal da Paraíba

As eleições invadiram o mundo digital. Não existe rolagem de tela que faça desaparecer vídeos, pesquisas, memes, acusações, promessas, cortes de entrevistas e opiniões políticas. Nunca tivemos tanta informação disponível antes de votar.

Mas existe uma pergunta que merece atenção: quem está escolhendo aquilo que chega até você? Os algoritmos fazem parte dessa resposta.

Aquilo que assistimos, curtimos, compartilhamos, pesquisamos e até o tempo que dedicamos a determinados conteúdos ajuda as plataformas a organizar aquilo que veremos depois.

É por isso que duas pessoas podem abrir seus celulares e encontrar eleições completamente diferentes. Uma acompanha determinados candidatos todos os dias. Outra praticamente não os vê. Um assunto parece dominar a eleição para determinado grupo enquanto sequer aparece na tela de outro.

E surge uma das maiores ilusões das redes sociais: “Todo mundo está falando disso.” Será? Ou todo mundo da sua internet está falando disso?

Seu feed não é pesquisa eleitoral. Sua bolha não representa necessariamente o eleitorado. E repetição não transforma opinião em verdade.

O problema também não está apenas nas fake news.

Uma informação não precisa ser completamente falsa para enganar. Um vídeo verdadeiro pode ser cortado. Uma declaração pode aparecer fora do contexto. Uma fotografia antiga pode reaparecer como atual. Um número correto pode ser utilizado para sustentar uma conclusão questionável. O próprio TSE vem tratando conteúdos falsos e gravemente descontextualizados como parte do problema da desinformação eleitoral.

Existe ainda outra armadilha: acreditamos mais facilmente naquilo que confirma o que já pensamos.

Por isso, talvez devamos desconfiar principalmente daquela informação que gostaríamos muito que fosse verdadeira.

Quanto maior a raiva, a indignação, o medo ou a euforia provocados por um conteúdo, maior deveria ser nossa disposição para verificar antes de compartilhar. É aí que entra uma atitude simples: sair um pouco da nossa própria internet.

Procurar outras fontes. Assistir à entrevista completa. Consultar dados oficiais. Ler jornalismo profissional. Conhecer argumentos diferentes. Pesquisar o histórico e as propostas das candidaturas em vez de depender apenas do conteúdo que apareceu espontaneamente na tela.

Os algoritmos não deveriam escolher seu candidato. Mas podem participar da escolha das informações que chegam até você antes do voto. E talvez esse seja um dos maiores desafios destas eleições.

Não precisamos apenas de mais informação. Precisamos consumir melhor a informação que recebemos.

Antes de votar, vale fazer uma última pergunta:

Quanto daquilo que estou levando para a urna eu realmente fui procurar e quanto simplesmente apareceu na minha tela e decidiu por mim?

Jeoás Farias - especialista em Presença Digital e colunista da CBN Paraíba

Imagem

Laerte Cerqueira

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