PLENO PODER
A lição deixada nas eleições da Paraíba em 2026: apoio político não garante votação
Candidato ao Senado, Nabor tinha apoio de mais de 170 prefeitos e maioria dos deputados
Publicado em 05/10/2026 às 16:38 | Atualizado em 05/10/2026 às 16:54

Em 2022, quando o ex-governador João Azevêdo (PSB) foi reeleito, criou-se uma espécie de 'máxima' na Paraíba: "quem tem o apoio da maior parte dos prefeitos, vence a eleição". Isso depois que João, reeleito contra Pedro Cunha Lima, conseguiu naquele ano superar a desvantagem obtida em Campina Grande e João Pessoa com uma votação ampla, nas demais cidades do interior.
Na época consolidou-se o entendimento de que o movimento municipalista teria garantido a reeleição do socialista.
Este ano essa mesma fórmula foi buscada por Hugo Motta (Rep) e o seu pai, Nabor Wanderley (Rep). Os dois percorreram o Estado numa corrida desenfreada para conquistar apoios de prefeitos, vereadores e demais lideranças políticas. Quase ninguém escapou.
Repentinamente, prefeitos passaram a apoiar o nome de Nabor e vereadores de grandes colégios eleitorais, como Campina e João Pessoa, também. Mesmo sem existir, anteriormente, uma relação política consistente entre o ex-prefeito de Patos e essas cidades. No total, a campanha esbanjava dizer que tinha mais de 170 prefeitos.
Mas o resultado das urnas, neste domingo (04), revela que "nem só de apoios" sobrevive uma candidatura majoritária. Ao contrário do que aconteceu com João em 2022, Nabor colecionou fotografias ao lado de prefeitos, mas não colheu os rendimentos que esperava.
Na Capital, por exemplo, teve o apoio do prefeito, mas ficou na 5ª colocação. Em Campina, onde formou uma bancada gigantesca na Câmara, também foi apenas o 5º colocado.
Em Santa Rita, cidade onde contava com o apoio do prefeito Jackson Alvino e do ex-prefeito, Emerson Panta, amargou a 4ª colocação. Já em Ingá, Santa Cecília e Alagoinha também perdeu para o seu principal concorrente, o senador Veneziano Vital (MDB).
Em alguns outros municípios até conseguiu superar o adversário, mas com percentuais que não foram suficientes para reverter a desvantagem acumulada no Estado.
As movimentações na reta final da campanha, registre-se, provocaram uma aversão de parte do eleitorado paraibano - que passou, de forma pertinente, a questionar o porquê das mudanças de rota da classe política.
O resultado é que, comparando as duas situações, de João em 2022 e Nabor em 2026, é possível concluir que com João os apoios políticos eram sacramentados por entregas feitas à população pela gestão estadual nesses municípios - gerando conexão entre os dois movimentos e conceitos agregados em benefício de João Azevêdo.
Com Nabor os apoios ficaram estampados sozinhos nas molduras das redes sociais, dificultando a aderência da população às adesões. Uma lição que precisará ser revisitada pela classe política do Estado nos próximos pleitos.
A partir do 'case Nabor', que ninguém mais ouse dizer que prefeitos e lideranças políticas decidem disputadas majoritárias. Pois quem vai às urnas mesmo, no fim das contas, é o povo. 'Marias', 'Franciscos', 'Josés', 'Ritas'... que não podem ser suprimidos ao imaginário do voto, ou cabresto, de lideranças.

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