EDUCAÇÃO
Enem 2026: veja como aprender com os próprios erros e melhorar o desempenho
Errar questões, identificar as dificuldades e revisar os conteúdos a partir dos próprios resultados pode ajudar estudantes.
Publicado em 06/10/2026 às 14:20

Na reta final de preparação para o Enem 2026, errar uma questão não precisa ser encarado apenas como um sinal de que determinado conteúdo ainda não foi aprendido. Para a psicopedagoga Luana Ribeiro, os erros podem servir como uma ferramenta para identificar dificuldades e orientar o que precisa ser revisado.
Mais do que acumular horas de estudo, o estudante precisa observar onde está errando, por que errou e o que pode fazer para não repetir o mesmo erro. Esse processo pode ajudar a tornar a preparação mais objetiva, principalmente para quem tem pouco tempo até a prova.
O erro também faz parte do aprendizado
Ao resolver uma questão e marcar uma alternativa incorreta, o estudante pode ter diferentes motivos para o erro. Pode ser falta de conhecimento sobre o conteúdo, dificuldade de interpretação, desatenção ou até mesmo uma confusão entre conceitos.
Por isso, a recomendação é não apenas conferir o gabarito e seguir para a próxima questão. O ideal é entender qual foi o motivo do erro.
Uma estratégia é anotar as questões que apresentaram dificuldade e registrar, com as próprias palavras, o que deveria ter sido observado para chegar à resposta correta.
“Se não consegue explicar, dê uma pausa de descanso rápido e volte para tentar recuperar na memória. Se não conseguir todo o conteúdo, busque pelo menos cinco palavras-chave sobre o tema e tente explicá-las. Se não conseguir de forma alguma, é sinal de que ainda precisa revisar”, explica Luana.
Como transformar os erros em um plano de estudos

Os erros também podem ajudar o estudante a decidir o que estudar primeiro. Se uma determinada dificuldade aparece várias vezes nas questões, ela pode indicar que aquele conteúdo precisa de uma revisão mais aprofundada. Já quando o erro acontece de forma isolada, pode estar relacionado à falta de atenção ou à interpretação do enunciado.
Uma possibilidade é criar uma lista ou caderno de erros. Nele, o estudante pode registrar:
- qual questão errou;
- qual conteúdo estava sendo cobrado;
- por que errou;
- qual era o raciocínio correto;
- o que precisa revisar.
Depois de alguns dias, é possível refazer as questões para verificar se a dificuldade foi superada.
Não basta assistir à aula e ler o resumo
Outro ponto importante é verificar se o conteúdo foi realmente aprendido. Assistir a uma aula ou ler um resumo pode causar a sensação de familiaridade com determinado assunto, mas isso não significa necessariamente que o estudante conseguirá resolver uma questão sobre ele.
Por isso, depois de estudar um conteúdo, é importante tentar recuperá-lo da memória e resolver questões sem consultar o material.
As questões de provas anteriores também podem ajudar nesse processo, já que permitem ao candidato observar como os conteúdos costumam ser cobrados no exame.
Compare o seu desempenho com você mesmo

A preparação para o Enem também pode ser afetada pela comparação com outros estudantes. Nas redes sociais, é comum encontrar pessoas mostrando longas horas de estudo ou cronogramas considerados produtivos.
Segundo Luana Ribeiro, porém, cada estudante possui um ritmo e uma forma diferente de aprender. Além disso, o que aparece nas redes sociais representa apenas uma parte da rotina de cada pessoa.
Uma maneira mais útil de acompanhar a evolução é comparar o desempenho atual com o próprio desempenho anterior. A pergunta pode ser: o que eu consigo fazer ou sei hoje que não conseguia fazer há um mês?
Essa comparação ajuda a identificar avanços e também mostra quais pontos ainda precisam de atenção.
Celular pode atrapalhar a concentração
As notificações e outras distrações também podem dificultar a concentração durante os estudos. Por isso, a recomendação é manter o celular distante durante os períodos de preparação.
Uma estratégia sugerida pela psicopedagoga é utilizar blocos de 25 a 30 minutos de estudo, seguidos por cerca de cinco minutos de intervalo.
A ideia é priorizar períodos de concentração e evitar permanecer durante horas diante dos livros sem conseguir identificar o que realmente foi aprendido.
Descanso também faz parte da preparação

O desempenho nos estudos não depende apenas da quantidade de conteúdo revisado. Sono e descanso também fazem parte da preparação.
Segundo Luana, reduzir o período de sono para estudar mais pode ter o efeito contrário ao esperado, já que o descanso está relacionado à capacidade de retenção do conteúdo.
“Sem sono, o que foi estudado não se fixa direito! Sem descanso, o aluno estuda mais e retém menos. Proteja o horário de dormir e tenha pelo menos um dia mais leve na semana. Descansar faz parte da preparação”, afirma.
E a redação?
A mesma lógica pode ser aplicada à redação do Enem. Ao receber uma correção, o estudante pode observar quais competências apresentaram mais dificuldades e identificar padrões que se repetem nos textos.
Em vez de apenas guardar a nota, é possível usar a correção para definir o que precisa ser trabalhado nos próximos textos. A prática frequente permite acompanhar se os problemas identificados anteriormente continuam aparecendo.
Como estudar com os próprios erros?
Na reta final para o Enem, o estudante pode transformar os erros em um guia para os estudos. Para isso, algumas estratégias podem ajudar:
- Resolva questões depois de estudar um conteúdo;
- Anote os erros e identifique o motivo de cada um;
- Revise os assuntos que aparecem com maior frequência entre as dificuldades;
- Refaça questões que já foram respondidas depois de alguns dias;
- Treine a redação e observe os pontos indicados nas correções;
- Acompanhe a própria evolução, sem usar o desempenho de outros estudantes como parâmetro;
- Mantenha uma rotina de sono e descanso.
Assim, errar deixa de ser apenas uma frustração durante a preparação e passa a funcionar como um indicador do que ainda precisa ser aprendido.

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