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Formação médica contemporânea reforça a centralidade de competências socioemocionais e do cuidado
Diretrizes nacionais e evidências globais apontam para uma formação médica que integra excelência clínica, humanização e responsabilidade social.
Publicado em 08/10/2026 às 18:06

Vivemos um contexto de virada de chave no cenário de saúde global. O início dos anos 2020 foi profundamente marcado pela pandemia da Covid-19, que desvelou ao planeta algo que já estava em curso nos debates acadêmicos: a necessidade de médicos com domínio não só técnico-científico, mas capazes de integrar conhecimento clínico com o cuidado centrado na pessoa, comunicação, colaboração interprofissional, tomada de decisão, prática baseada emevidências e conduta profissional.
Esses domínios essenciais estão documentados na publicação da OMS (Organização Mundial da Saúde) intitulada “Global Competency and Outcomes Framework for Universal Health Coverage” (em tradução livre, “Estrutura Global de Competências e Resultados para Cobertura Universal de Saúde”), de 2022.
Em 2025, o MEC (Ministério da Educação) aprovou as novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) para Medicina e, dentre os pontos que mais se sobressaíram estavam: 1) excelência técnica e sensibilidade humana em todos os níveis de atenção à saúde e 2) o exercício médico deve ser orientado pelo: cuidado centrado na pessoa, na família e na comunidade, respeito à diversidade humana e promoção da equidade e da justiça social.

A coordenadora do curso de Medicina do Centro Universitário de João Pessoa (Unipê), Profa. Dra. Maria Alenita de Oliveira, enfatizou outros dois aspectos das novas DCNs. Um deles é caracterizado por trabalho colaborativo, atuação em equipe, liderança colaborativa e atuação em rede.
Essas competências dialogam com as evidências publicadas pela OMS e até pela revista Lancet no artigo “Challenges and Opportunities for Educating Health Professionals after the COVID-19 Pandemic” (em tradução livre, “Desafios e Oportunidades para a Formação de Profissionais da Saúde após a Pandemia de Covid-19”), de 2022.
“O outro ponto é a empatia e a escuta qualificada, que se tornam competências formais. Aqui, o médico deve ser capaz de integrar saberes clínicos, científicos, tecnológicos com empatia, responsabilidade, liderança colaborativa, escuta qualificada e autonomia crítica”, complementa Alenita, que é médica pneumologista.

Como isso se traduz no percurso de uma graduação?
A integração entre teoria e prática é uma das maneiras de balizar essa jornada formativa, com uma articulação permanente entre conteúdos básicos, clínicos e vivências assistenciais. Tudo isso contribui para desenvolver as competências de estudantes do curso de Medicina. No Unipê, a estrutura curricular se divide em três ciclos de 2 anos alinhados às DCNs:
- 1º ciclo: voltado às bases anatômicas, fisiológicas e patológicas com a prática médica;
- 2º ciclo: ênfase em clínica integrada;
- 3º ciclo: o internato médico, atuando em diferentes cenários assistenciais.
As experiências práticas são diversificadas, longitudinais e alinhadas às competências exigidas do egresso do curso, incluindo um rodízio em UTIs (Unidades de Terapia Intensiva). Desse modo, a ampliação busca favorecer a aproximação dos estudantes em diferentes níveis de atenção à saúde, contextos assistenciais e graus de complexidade para desenvolver competências clínicas, relacionais, técnicas, éticas e interprofissionais.
“Um exemplo desse está nas áreas de Cirurgia, Urgência e Emergência: incorporamos o rodízio em Terapia Intensiva, possibilitando ao estudante vivenciar o cuidado ao paciente crítico, compreender a dinâmica das unidades de alta complexidade e acompanhar processos de tomada de decisão clínica que exigem integração entre diferentes especialidades e categorias profissionais”, explica a coordenadora do curso.
Já a Saúde Coletiva está sendo trabalhada no curso do Unipê de maneira transversal, integrada e adaptada a todos os ciclos da formação. A proposta pedagógica parte do entendimento de que os princípios, métodos e ferramentas da Saúde Coletiva estão sempre relacionados à prática médica, independentemente da especialidade escolhida no futuro pelo profissional egresso.
“Assim, possibilitamos ao aluno reconhecer como os determinantes sociais, epidemiológicos, territoriais, ambientais, econômicos e culturais interferem nas condições de saúde dos indivíduos e das populações, bem como compreender a importância do planejamento, da vigilância, da prevenção, da promoção da saúde e da organização dos serviços no exercício da atividade médica. A estratégia contribui, portanto, para uma formação mais integrada e holística, permitindo ao estudante relacionar o cuidado individual às necessidades coletivas e compreender a atuação médica dentro de redes e sistemas de saúde”, pontua Alenita.
Marcela Lourenço Lacerda, que está no último período do curso, diz que o agora ciclo de internato tem sido um espaço para “colocar em prática tudo o que aprendi ao longo da graduação, sentindo-me preparada para enfrentar os desafios dessa nova etapa profissional. E hoje, olhando para toda a caminhada e para a médica que estou me tornando, tenho a certeza de que fiz a escolha certa pelo Unipê.”

Telemedicina, extensão e responsabilidade social
O SUS (Sistema Único de Saúde) ocupa uma posição central na formação de médicos no Unipê. O campo da Telemedicina, nesse sentido, foi incorporado gradualmente às atividades do curso, especialmente quanto às práticas em Saúde Coletiva, no qual estudantes têm contato supervisionado com novas modalidades de assistência e com recursos tecnológicos aplicados ao cuidado em saúde.
Um exemplo da execução da Telemedicina está no projeto de extensão Mandaçaia, que aprofunda questões relativas à Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPI) e propicia uma entre estudantes e a comunidade Potiguara integrante da ação, que reside no município de Baía da Traição, litoral norte da Paraíba.
“Trata-se de um território marcado por uma singularidade étnico-cultural e desafios geográficos. A região abriga povos tradicionais (pescadores e catadores de mariscos) e está inserida em áreas de influência das comunidades indígenas Potiguaras. Essa população apresenta vulnerabilidades específicas e a prevalência de algumas doenças exige um modelo de atenção que respeite os saberes locais, mas que garanta a tecnologia da Telemedicina e o suporte especializado para evitar complicações agudas”, informa Alenita.

A estudante Marcela também participou de projetos de extensão na Instituição e disse que eles contribuíram para aprofundar conhecimentos e desenvolver o raciocínio clínico. “Essa participação ampliou minha formação e me proporcionou experiências e conhecimentos que foram muito além do que seria possível adquirir apenas em sala de aula”, diz.
Para a reitora do Unipê, Profa. Dra. Mariana de Brito Barbosa, o equilíbrio dessa formação médica contemporânea está justamente na união entre excelência acadêmica, experiência prática e desenvolvimento humano. “Aqui, buscamos formar profissionais preparados para os desafios da saúde com sólida competência técnica, visão crítica e uma compreensão genuína das necessidades das pessoas e das comunidades que irão atender.”
Vestibular de Medicina do Unipê
O Unipê está com inscrições abertas até 9 de outubro de 2026 para o Vestibular de Medicina 2027.1, em unipe.edu.br/processo-seletivo/medicina-processos-seletivos. A avaliação presencial está marcada para 18 de outubro de 2026, das 10h às 14h, conforme o calendário do processo seletivo. Mais informações sobre o curso, como diferenciais, parcerias com os sistemas de saúde público e privado para campos de prática, projetos, entre outros, podem ser conferidas em cursos.unipe.edu.br/grad-medicina-unipe.

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