O Dia das Crianças é celebrado nesta segunda-feira (12) e, além de diversão, os brinquedos podem ser aliados no desenvolvimento infantil. Para ajudar pais e responsáveis na escolha dos presentes, o Jornal da Paraíba conversou com a psicóloga Sabrina Jansen, especialista em Análise do Comportamento Aplicada (ABA).
Segundo a especialista, o brincar é uma ferramenta importante para o desenvolvimento das crianças e pode contribuir para a construção de diferentes habilidades, de acordo com a idade e os interesses de cada uma.
“O brincar é uma ferramenta indispensável e extraordinária no desenvolvimento infantil”, explicou Sabrina.
A psicóloga destaca ainda que não é necessário que um brinquedo tenha, originalmente, uma finalidade terapêutica para contribuir com o desenvolvimento. O interesse da criança pela atividade pode ser aproveitado pelos adultos para criar oportunidades de interação e aprendizagem.
“O brinquedo pode nem ter um objetivo terapêutico, claro. Porém, quando a criança demonstra algum interesse, a gente consegue alguma aproximação dela dentro do contexto do brincar. Aquilo pode se tornar um brinquedo terapêutico”, afirmou.
Brinquedos para crianças de 1 a 3 anos

Para crianças entre 1 e 3 anos, brinquedos de encaixe e empilhar são algumas das opções indicadas. Eles permitem que a criança explore diferentes formas de manipulação e podem contribuir para a coordenação motora, a percepção espacial, a criatividade e a identificação de cores.
Outra possibilidade são as bolhas de sabão, que podem ser utilizadas em brincadeiras com os pais ou outras crianças. A atividade ajuda a criar momentos de atenção compartilhada, quando a criança e outra pessoa permanecem envolvidas na mesma atividade.

Livros interativos também podem ser utilizados nessa faixa etária. Além de estimular a exploração sensorial, eles podem contribuir para a linguagem, a identificação de elementos, a interpretação de imagens e a compreensão de histórias e sequências.
Livros com figuras de animais, por exemplo, podem ser usados para estimular a criança a apontar para determinadas imagens, identificar objetos e permanecer atenta à atividade por mais tempo.

Os animais de brinquedo também podem ser utilizados para estimular a imitação e criar oportunidades de interação entre a criança e os pais.
Dos 3 aos 5 anos, brincadeiras simbólicas ganham espaço

Entre os 3 e 5 anos, a recomendação é ampliar as possibilidades de brincadeiras, incluindo atividades que envolvam linguagem, imitação e brincadeiras simbólicas, como brincar de mercadinho, casinha ou outros contextos do cotidiano.
Esse tipo de atividade pode ajudar a trabalhar habilidades relacionadas ao controle inibitório, que envolve a capacidade de esperar, pensar antes de agir e controlar impulsos.
Segundo Sabrina, essa habilidade ainda está em processo de desenvolvimento durante a infância. Por isso, situações simples, como precisar esperar a vez de brincar, podem representar um desafio para crianças pequenas.
“Crianças pequenas ainda estão desenvolvendo e aprendendo a construir essa pausa entre o que querem e o que fazer”, explicou.
A psicóloga ressalta que essas brincadeiras também podem ser oportunidades para desenvolver a comunicação e a interação social.
No caso dos brinquedos de mercadinho, por exemplo, a criança pode brincar com outra pessoa e aprender conceitos como troca de turno, representados por situações como “minha vez” e “sua vez”.
Quebra-cabeças e jogos da memória

Os quebra-cabeças também podem ser utilizados nessa fase. De acordo com a psicóloga, eles ajudam a trabalhar resolução de problemas, atenção, coordenação motora e raciocínio lógico.
Já os jogos da memória podem contribuir para o pareamento e a associação de elementos. A atividade também pode ser adaptada para trabalhar diferentes habilidades, como a atenção seletiva e sustentada.
Em vez de seguir necessariamente as regras tradicionais, o adulto pode adaptar a brincadeira de acordo com o objetivo. Uma possibilidade é deixar as peças visíveis e pedir que a criança encontre figuras iguais, como dois animais.
A adaptação das atividades é importante porque, segundo Sabrina, um mesmo brinquedo pode ser utilizado de diferentes maneiras, dependendo das necessidades e habilidades que estão sendo trabalhadas.
Massinha pode acompanhar diferentes fases da infância

A massinha de modelar é outra opção que pode acompanhar a criança por vários anos. Segundo Sabrina, a atividade pode ser utilizada a partir dos 2 anos e continuar sendo interessante para crianças maiores.
Nos primeiros anos, apertar, amassar e moldar a massinha contribui para a exploração sensorial e a coordenação motora, além de ajudar no fortalecimento dos músculos das mãos.
Com o passar do tempo, a atividade também pode ganhar novos elementos. Entre os 3 e 5 anos, por exemplo, a criança pode começar a criar personagens, histórias e diferentes contextos durante a brincadeira, estimulando a imaginação e a criatividade.
A massinha também pode ser utilizada com crianças maiores e até adolescentes em atividades voltadas à redução do estresse, já que a manipulação do material pode direcionar a atenção para a sensação proporcionada pela atividade.
Mais importante do que acertar é participar da brincadeira

Para a psicóloga, o objetivo não deve ser apenas fazer com que a criança utilize o brinquedo da maneira considerada correta. A participação do adulto é importante para aproveitar o interesse da criança e criar oportunidades de comunicação e interação.
“Às vezes a gente pensa que só tem uma forma de brincar com o brinquedo, mas não. Existem diversas formas de a gente ir adaptando para criar contextos mais funcionais”, explicou Sabrina.
Ela também destaca que algumas crianças podem precisar de ajuda para aprender a brincar. Nesses casos, o adulto pode demonstrar como determinada atividade funciona e, ao mesmo tempo, respeitar e validar a forma como a criança já está interagindo com o brinquedo.


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