COTIDIANO
Algodão verde da Paraíba conquista mercado europeu e fortalece agricultura familiar
Iniciativa de produção de algodão colorido na Paraíba beneficia mais de 70 famílias e promove práticas agroecológicas.
Publicado em 17/10/2026 às 11:10

A produção de algodão colorido verde na Paraíba abre uma nova possibilidade para a agricultura familiar e para a indústria têxtil sustentável. O cultivo começou no reassentamento Acauã, em Itatuba, no Agreste paraibano, e a fibra é comercializada com a empresa espanhola Organic Cotton Colours (OCC), que fabrica roupas e tecidos com algodão orgânico.
A iniciativa integra o projeto Algodão Paraíba, que incentiva o plantio de variedades naturalmente coloridas e o cultivo consorciado com alimentos. Segundo Paulo Emílio, gerente regional da Empresa Paraibana de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização Fundiária (Empaer) em Itabaiana, mais de 70 famílias da agricultura familiar são beneficiadas pelo projeto na região.
A expectativa é que os cinco municípios atendidos pela iniciativa produzam cerca de 30 toneladas de algodão colorido agroecológico. Além da venda da fibra, o modelo de cultivo permite que os agricultores produzam alimentos para consumo próprio e comercialização.
“Ele colhe o algodão para a venda e colhe as culturas alimentares para se alimentar, gerar segurança alimentar”, explicou Paulo Emílio.
Produção combina algodão e alimentos
O cultivo do algodão é realizado em consórcio com outras culturas, como milho, feijão, fava, gergelim, abóbora e amendoim. A prática permite aproveitar a mesma área para produzir a fibra e alimentos, ampliando as possibilidades de renda das famílias rurais.
O compartilhamento de tarefas entre os agricultores, desde o preparo do solo até os cuidados com a plantação, contribui para diminuir os custos da produção.
“Todos trabalham em mutirão, em comunhão, se ajudando. Isso é importante”, afirmou o gerente regional da Empaer.
Outro diferencial é a comercialização antecipada. De acordo com Paulo Emílio, as empresas compradoras firmam contratos com os produtores antes do plantio, estabelecendo o preço e a quantidade a serem adquiridos. Dessa forma, os agricultores conhecem previamente as condições de venda da produção.
Algodão colorido dispensa tingimento artificial

As variedades de algodão colorido utilizadas no projeto foram desenvolvidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), por meio de pesquisas realizadas também pela unidade Embrapa Algodão, na Paraíba.
Entre as variedades estão a BRS Rubi, de fibra marrom, e a BRS Verde, que apresenta coloração verde natural. Diferentemente do algodão branco convencionalmente tingido durante a fabricação dos tecidos, essas fibras já possuem cor própria.
A característica interessa à indústria têxtil porque reduz a necessidade de corantes artificiais, produtos químicos utilizados no processo de tingimento.
“Esse algodão, como ele já nasce colorido […], evita de tingir e, aí, evita a poluição da indústria”, explicou Paulo Emílio.
Além da coloração natural, o cultivo incentivado pelo projeto adota práticas agroecológicas, sem utilização de agrotóxicos e fertilizantes químicos, conforme o manejo informado pela Empaer. A produção também conta com certificação orgânica.
Projeto começou em 2009 na região

O incentivo ao cultivo do algodão colorido na região de Itabaiana começou em 2009. Desde então, o projeto foi ampliado para outros municípios paraibanos, com assistência técnica pública, participação dos agricultores familiares e contratos com empresas interessadas na compra da fibra.
Segundo Paulo Emílio, a demanda internacional pelo algodão colorido orgânico, especialmente na Europa, representa uma oportunidade para expandir a produção no estado.
Com o início da colheita da variedade verde em Itatuba, a produção paraibana amplia as possibilidades de uso do algodão colorido e fortalece uma alternativa de geração de renda para a agricultura familiar, associando a comercialização da fibra ao cultivo de alimentos e a práticas agroecológicas.

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