SAÚDE
Hospital de João Pessoa realiza primeiro parto de quadrigêmeos da história da maternidade
Natural de Bamako, no Mali, Fataumata Oumou Baradfi, de 30 anos, já tinha dois filhos antes do nascimento dos quadrigêmeos.
Publicado em 18/10/2026 às 8:03

O Instituto Cândida Vargas (ICV), em João Pessoa, realizou o primeiro parto de quadrigêmeos da história da maternidade na manhã de quarta-feira (14). A mãe, Fataumata Oumou Baradfi, de 30 anos, é natural de Bamako, capital do Mali, na África, e fala apenas francês.
Segundo a unidade de saúde, a gestação exigiu a mobilização de uma equipe com 9 médicos, 6 enfermeiros e 6 técnicos de enfermagem, além da reserva de leitos para a mãe e os recém-nascidos. Dois bebês estão na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal e outros dois recebem cuidados intermediários.
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A mãe recebeu alta da UTI materna na quinta-feira (16) e permanece sob monitoramento da pressão arterial.
Prima acompanha gestação e ajuda na comunicação
Fataumata está no Brasil sem a presença de outros familiares, além de uma prima que mora em João Pessoa. Como a paciente não fala português, a prima, Mamacila, que tem algum domínio do idioma, ajuda na comunicação com os profissionais de saúde e acompanha a internação.

A mãe dos quadrigêmeos chegou ao Instituto Cândida Vargas com registros limitados do acompanhamento pré-natal. O primeiro atendimento na unidade ocorreu em 8 de setembro, quando ela passou a receber assistência pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A prima ajudou a paciente a procurar atendimento médico e acompanha a recuperação após o parto. Segundo ela, a descoberta de que eram quatro bebês foi uma surpresa para a família.
“Ela veio da África e está morando comigo. Quando soubemos da gestação, procuramos atendimento para que ela recebesse os cuidados necessários. Foi uma surpresa descobrir que eram quatro bebês. Estamos acompanhando tudo e esperamos que eles cresçam bem”, relatou.
Fataumata já tinha dois filhos antes da gestação. Com o nascimento dos quadrigêmeos, ela passa a ser mãe de seis crianças. Os nomes dos quatro recém-nascidos ainda serão definidos pela família.
A familiar também ajuda no processo de ordenha do leite materno durante a internação.
Segundo a coordenadora da neonatologia do Instituto Cândida Vargas, a médica Juliana Soares, os quatro recém-nascidos apresentaram boas condições clínicas iniciais e receberam nota nove na avaliação de vitalidade neonatal.
“Os bebês nasceram bem e ativos, mas, por serem prematuros, precisam de acompanhamento intensivo. Eles estão recebendo suporte respiratório e sendo monitorados de perto para que possamos identificar qualquer alteração e agir rapidamente”, explicou.
A equipe também iniciou a ordenha do leite materno poucas horas depois do parto. O objetivo é oferecer aos quatro bebês o leite da própria mãe, de acordo com a evolução clínica de cada um.
A preparação para o nascimento começou antes do parto. De acordo com a diretora técnica do ICV, Tatiana Viana Fragoso Vieira, Fataumata foi readmitida na maternidade quando completou 30 semanas de gestação, para que a equipe pudesse se preparar para um possível nascimento prematuro.
“Precisávamos garantir a reserva de leitos para quatro crianças prematuras, porque sabíamos que o parto poderia acontecer a qualquer momento. Mobilizamos a equipe multidisciplinar e toda a estrutura necessária para esse atendimento”, afirmou.
Segundo Juliana Soares, a paciente continua sendo monitorada para controlar a pressão arterial e prevenir complicações, como hemorragia após o parto.
A médica explicou que esse acompanhamento faz parte dos cuidados preventivos após uma gestação múltipla e não significa, necessariamente, que houve agravamento do quadro clínico.
O Instituto Cândida Vargas continua acompanhando a recuperação da mãe e a evolução dos quatro bebês, que permanecem sob cuidados especializados.

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