PLENO PODER
Opinião: a maior pedra no sapato da direita se chama Jair Messias Bolsonaro
Decisões erradas do ex-presidente foram cruciais para a derrota da direita em 2022 e 2026.
Publicado em 27/10/2026 às 9:32 | Atualizado em 27/10/2026 às 10:37

Encerrada mais uma eleição, é hora de a direita juntar os cacos depois de mais uma derrota nas urnas. Em sequência, a campanha do PL foi superada no pleito de 2022 e 2026, nas duas pelo presidente Lula (PT). Muitos fatores contribuíram com a vitória petista. No entanto, um único fator desponta como principal para a derrota da direita, e ele se chama Jair Messias Bolsonaro.
É inegável que o ex-presidente é o responsável pelo espaço massivo que a direita ocupa hoje em dia. Tanto no Congresso, quanto nos palácios de Governo, passando pelas Assembleias Legislativas e prefeituras. Tudo é fruto do que Jair Bolsonaro liderou desde muito antes de 2018, quando foi eleito presidente da República.
Mas também não se pode negar que as decisões dele impediram que a direita continuasse e, principalmente, voltasse para a cadeira da Presidência. Primeiro foi com o má gestão que ele fez com a pandemia. Ali a sua derrota foi sacramentada dois anos antes de o pleito de 2022 acontecer.
Porém, talvez o maior estrago gerado por Jair Bolsonaro para o bloco direitista foi a "brilhante" decisão de indicar o seu filho mais velho, Flávio, para concorre à Presidência. O ex-presidente simplesmente decidiu escolher o candidato com a maior chance de rejeição, sendo o integrante do bloco, e da própria família, com mais envolvimento em denúncias de corrupção.
Será possível que a sede de poder em prol da própria família cegou Jair Bolsonaro ao ponto de não preferir o nome de Tarcísio de Freitas? As urnas falaram muito sobre isso. Ninguém é reeleito para o Governo de São Paulo, ainda em primeiro turno, com mais de 62% dos votos à toa.
A direita perdeu a chance de ter um candidato competitivo, bem avaliado, com propostas e sem o sobrenome "Bolsonaro". E a culpa é do mandachuva do bloco, que escolheu beneficiar o filho, provavelmente esperando mais quatro anos de foro privilegiado.
E como não falar da trava que o bolsonarismo impõe aos outros candidatos de direita que decidiram se candidatar? Será que o apoio a Caiado ou a Renan Santos não daria mais chances de a direita voltar à Presidência?
E o resultado foi dentro do esperado. Um candidato com um alto índice de rejeição falando novamente em fraude eleitoral, em não reconhecer o resultado das urnas e finalmente, em pedir a anulação do pleito.
Com muita sinceridade, Flávio, o que tu ia fazer com os impressionantes 35 mil votos registrados depois das 17h? O "Messias" no nome do teu pai não significa que vocês têm o poder da multiplicação.
A própria direita se cansou e terá quatro anos para moldar um candidato que possa, por fim, ser competitivo e findar a polarização. Claro, isso se o mandachuva não se intrometer e mandar alguém com o seu sobrenome concorrer. Quem é o próximo? A esposa? O filho que fugiu pros Estados Unidos? O filho que mudou o domicílio eleitoral para se eleger senador?
Enquanto ninguém parar o ex-presidente, a direita vai seguir amargando frustrações e sem expor um candidato que realmente proponha algo pelo Brasil, em vez do discurso batido criado e orquestrado por quem está preso e usando tornozeleira.
A preço de hoje, o maior fardo que a direita é obrigada a carregar tem nome, sobrenome e ideologia própria: Jair Bolsonaro, o mandachuva do bolsonarismo.

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