COTIDIANO
10 músicas atuais para usar como repertório na redação do Enem 2026
Canções lançadas entre 2024 e 2026 podem ajudar a discutir desigualdade social, racismo, meio ambiente, saúde mental e desinformação
Publicado em 30/10/2026 às 14:06

A música pode ser uma aliada dos estudantes que estão se preparando para a redação do Enem 2026. Além de expressar sentimentos e experiências individuais, as canções podem abordar problemas sociais, desigualdades, identidade cultural, questões ambientais e transformações provocadas pela tecnologia.
Para aproveitar esse recurso na prova, porém, não basta citar o título de uma música ou o nome de um artista. É necessário compreender a mensagem da obra, relacioná-la ao tema proposto e explicar como ela contribui para sustentar o ponto de vista defendido no texto.
As 10 músicas a seguir, lançadas entre 2024 e 2026 segundo a lista apresentada, oferecem possibilidades de discussão para diferentes eixos temáticos. A interpretação de cada canção deve ser conferida a partir de sua letra e de seu contexto, evitando atribuir à obra mensagens que ela não apresenta.
1. “Foi Mal Aí” — OGermano e Matchola (2024)
A música aborda julgamento social, identidade e sensação de não pertencimento. Na letra, o narrador fala sobre a dificuldade de se encaixar nas expectativas dos outros e menciona experiências relacionadas à identidade racial. A faixa pode ajudar a refletir sobre preconceito, discriminação e construção da identidade.
Como usar na redação: a canção pode ser relacionada a temas como racismo estrutural, exclusão social e respeito às diferenças. Se a proposta abordar a discriminação racial, por exemplo, o estudante pode utilizar a música para ilustrar como o preconceito afeta a maneira como as pessoas são tratadas e como percebem seu lugar na sociedade.
2. “Ouro Marrom” — Jota.pê (2023)
Apesar de aparecer na lista como uma música de 2024, “Ouro Marrom” foi lançada originalmente em 2023. A composição trata do racismo, mas também valoriza a identidade negra, a ancestralidade, a autoestima e a possibilidade de construir um futuro com mais igualdade. O próprio Jota.pê explicou que escreveu a canção após se deparar com uma notícia sobre racismo e decidiu transformar a dor inicial em uma mensagem de valorização da população negra.
Como usar na redação: é uma opção para discutir racismo estrutural, representatividade negra, valorização da cultura afro-brasileira e desigualdade racial. Em uma proposta sobre o combate ao racismo no Brasil, a música pode servir de repertório para defender a importância de políticas públicas de igualdade racial, educação antirracista e valorização das contribuições da população negra.
3. “Desigualdade Social” — Salvador da Rima (2025)
O rap apresenta uma crítica à desigualdade social e às condições enfrentadas por moradores de comunidades periféricas. A letra relaciona a falta de oportunidades, as dificuldades econômicas, a ausência de incentivos culturais e esportivos e a violência que atinge esses territórios. A obra também questiona a maneira como determinadas situações são retratadas no noticiário.
Como usar na redação: a faixa pode ser utilizada em propostas sobre desigualdade socioeconômica, violência urbana, exclusão de jovens periféricos e acesso à educação. O estudante pode relacionar a mensagem da música à necessidade de ampliar oportunidades educacionais, culturais e profissionais, evitando apresentar a pobreza como causa automática da criminalidade.
4. “Pra Alegria Se Achegar” — Bia Ferreira (2026)
A canção integra o trabalho musical de Bia Ferreira em 2026 e apresenta uma abordagem voltada ao afeto, à celebração e à possibilidade de recomeçar. Diferentemente de músicas de protesto mais explícitas, a faixa pode contribuir para uma discussão sobre o papel das relações humanas e da convivência na construção do bem-estar.
Como usar na redação: a música pode ser relacionada a temas como saúde mental, bem-estar coletivo, valorização dos vínculos afetivos e qualidade de vida. Em uma proposta sobre os desafios da saúde mental entre jovens, por exemplo, o estudante pode explorar a importância do acolhimento e das redes de apoio. A conexão precisa ser explicada, sem tratar a canção como se apresentasse, por si só, uma análise científica do tema.
5. “Cantiga para Oxalá” — Majur (2025)
A faixa indicada na lista combina o iorubá com trechos em português e permite explorar a presença de referências culturais e religiosas de matriz africana na música brasileira. Para utilizar a obra com precisão, é importante conferir a gravação e a letra oficial antes de atribuir a ela uma mensagem específica.
Como usar na redação: a canção pode contribuir para discussões sobre intolerância religiosa, racismo religioso, diversidade cultural e preservação das tradições afro-brasileiras. Em um texto sobre a discriminação contra religiões de matriz africana, o estudante pode utilizá-la como exemplo da presença dessas tradições na produção cultural contemporânea e relacionar o assunto à liberdade religiosa e ao respeito à diversidade.
6. “Injustiça Climática” — Ricardo Marques, Luiz Caldas, Ailton Krenak e Jonas Samaúma (2026)
Lançada em janeiro de 2026, a música reúne artistas e vozes ligadas à reflexão ambiental e à defesa dos povos originários. A composição critica a transformação da natureza em mercadoria e chama a atenção para a responsabilidade coletiva diante da crise climática.
Como usar na redação: é um repertório pertinente para temas relacionados a mudanças climáticas, preservação ambiental, povos indígenas e justiça climática. Em uma proposta sobre os impactos das mudanças climáticas no Brasil, o estudante pode relacionar a canção à distribuição desigual dos prejuízos ambientais e à necessidade de políticas de prevenção, adaptação e proteção das populações vulneráveis.
Um cuidado importante é explicar o conceito de justiça climática: os efeitos da crise ambiental não atingem todos os grupos sociais da mesma forma, e comunidades com menos recursos podem enfrentar maiores dificuldades para prevenir e superar desastres.
7. “A Sina de Ofélia” — versão viralizada em 2025
A faixa ganhou repercussão nas redes sociais por meio de uma versão em português associada a vozes de artistas conhecidos, mas criada com inteligência artificial. O conteúdo simulava interpretações de Luísa Sonza e Dilsinho, embora não se tratasse de uma gravação oficial desses cantores. O episódio provocou discussões sobre autenticidade, direitos autorais e uso de IA na produção musical.
Como usar na redação: é um exemplo atual para discutir desinformação, inteligência artificial, manipulação de conteúdos digitais e responsabilidade nas redes sociais. Em uma proposta sobre os desafios para identificar informações falsas na internet, o estudante pode explicar como um material produzido artificialmente pode parecer verdadeiro quando imita elementos reconhecíveis, como a voz de uma pessoa famosa.
A música também permite abordar a necessidade de educação midiática, transparência no uso de inteligência artificial e mecanismos para identificar conteúdos sintéticos. O exemplo deve ser apresentado corretamente: a discussão não depende de afirmar que toda produção feita com IA é falsa ou prejudicial.
8. “Além de Mim” — Luciano Thomas (2025)
A música integra a lista de repertórios sugeridos para o Enem 2026, mas não foi possível confirmar, nas fontes consultadas, informações suficientes sobre sua letra e seu contexto para indicar com segurança uma interpretação temática específica.
Como usar na redação: antes de escolher a faixa, o estudante deve analisar a letra completa e identificar qual questão ela efetivamente aborda. A partir disso, pode verificar se existe uma relação consistente com temas como identidade, relações humanas, saúde mental ou questões sociais. O título, isoladamente, não é suficiente para sustentar uma interpretação na redação.
Essa conferência é importante para evitar que o repertório seja usado de maneira superficial ou que a obra receba um significado que não está presente em sua composição.
9. “Sky Line” — RAPadura (2026)
Lançada em fevereiro de 2026, “Sky Line” mistura elementos de samba, drill e funk. A faixa aborda a ascensão social e a preservação das raízes culturais, relacionando a trajetória de crescimento pessoal e profissional à importância de manter vínculos com a própria origem.
Como usar na redação: a música pode ser relacionada a temas como mobilidade social, valorização da cultura brasileira, identidade cultural e desigualdade de oportunidades. Em uma proposta sobre os obstáculos enfrentados por jovens de baixa renda para melhorar suas condições de vida, por exemplo, a canção pode ajudar a introduzir a discussão sobre a importância das oportunidades de educação e trabalho sem desvalorizar as origens culturais de cada indivíduo.
A combinação de gêneros musicais também pode servir como ponto de partida para discutir a diversidade da produção cultural brasileira e o diálogo entre diferentes tradições musicais.
10. “Feed” — Mateus Zingue (2025)
A música critica a hiperconectividade e o uso excessivo das redes sociais. Segundo o artista, a composição surgiu da observação dos hábitos digitais e aborda a exposição da vida pessoal, a dependência tecnológica e os efeitos da conexão constante sobre o comportamento. A faixa utiliza o humor para chamar a atenção para o problema.
Como usar na redação: “Feed” pode ser utilizada em propostas sobre saúde mental, dependência digital, uso de redes sociais e impactos da tecnologia nas relações humanas. O estudante pode relacionar a música à necessidade de promover educação digital e conscientização sobre hábitos de uso da internet.
Em um texto sobre os efeitos das redes sociais entre adolescentes, por exemplo, a canção pode introduzir a discussão sobre o tempo excessivo conectado, a pressão pela exposição pessoal e a importância de desenvolver uma relação mais consciente com a tecnologia. Para sustentar a argumentação, é recomendável complementar o repertório musical com dados ou pesquisas confiáveis.
Como usar músicas na redação do Enem
Para que uma música funcione como repertório sociocultural, ela precisa contribuir para a argumentação. Apenas citar uma canção ou reproduzir um trecho da letra não garante que o repertório seja produtivo.
Uma forma de organizar o parágrafo é seguir três etapas:
1. Apresente a obra: informe o título, o artista e a questão abordada.
2. Explique a relação com o tema: mostre como a mensagem da música ajuda a compreender o problema apresentado na proposta.
3. Conecte o repertório à sua tese: utilize a interpretação para sustentar o argumento e encaminhar a discussão.
Por exemplo, em uma redação sobre desigualdade racial, o estudante pode mencionar “Ouro Marrom”, de Jota.pê, explicar que a canção aborda o racismo e valoriza a identidade negra e, em seguida, relacionar essa reflexão à necessidade de combater práticas discriminatórias e ampliar a igualdade de oportunidades.
O principal cuidado é não decorar repertórios para utilizá-los em qualquer tema. A escolha deve ser feita a partir da proposta apresentada na prova, e a análise da música precisa estar diretamente relacionada ao argumento desenvolvido.

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