SILVIO OSIAS
A música popular brasileira deve muitíssimo a esse cara
Solano Ribeiro morreu aos 87 anos no sábado, 31 de outubro de 2026.
Publicado em 04/11/2026 às 6:45

Houve antes e houve depois, mas podemos dizer que a chamada Era dos Festivais começou no Festival da TV Excelsior, em 1965, e terminou no FIC da Globo, em 1972.
Autores, intérpretes, alguns dos maiores nomes da música popular brasileira daquela época foram revelados nesses festivais e, graças a eles, conquistaram dimensão nacional.
Jornalista, pesquisador, músico, Zuza Homem de Mello, com extraordinária riqueza de detalhes, conta essa história no livro A Era dos Festivais: Uma Parábola, da Editora 34.
Em retrospecto:
I Festival Nacional de Música Popular Brasileira. TV Excelsior, março e abril de 1965. Vencedora: Arrastão, de Edu Lobo e Vinícius de Moraes, com Elis Regina.
II Festival da Música Popular Brasileira. TV Record, setembro e outubro de 1966. Empatadas em primeiro lugar: A Banda (Chico Buarque) e Disparada (Geraldo Vandré e Théo de Barros).

III Festival da Música Popular Brasileira. TV Record, setembro de outubro de 1967. As quatro primeiras colocadas: Ponteio (Edu Lobo e Capinan), Domingo no Parque (Gilberto Gil), Roda Viva (Chico Buarque) e Alegria, Alegria (Caetano Veloso).
II Festival Internacional da Canção. TV Globo, outubro de 1967. A segunda colocada foi Travessia, de Milton Nascimento e Fernando Brant, interpretada por Milton Nascimento.
I Bienal do Samba. TV Record, maio e junho de 1968. Vencedora: Lapinha, de Baden Powell e Paulo César Pinheiro, interpretada por Elis Regina.
III Festival Internacional da Canção. TV Globo, setembro e outubro de 1968. Primeiro lugar: Sabiá, de Tom Jobim e Chico Buarque. Segundo lugar: Caminhando, de Geraldo Vandré.
V Festival da Música Popular Brasileira. TV Record, novembro de dezembro de 1969. Vencedora: Sinal Fechado, de Paulinho da Viola.
Esses são alguns destaques, mas também passaram pelos festivais Roberto e Erasmo Carlos, Gal Costa, Nana Caymmi, Tom Zé, Os Mutantes, Jorge Ben, Raul Seixas.
Lembro agora da Era dos Festivais por causa de Solano Ribeiro, que morreu em São Paulo no sábado passado, 31 de outubro de 2026. Solano, de 87 anos, tinha câncer.
Por trás da realização desses festivais, talvez não haja nenhum nome tão importante quanto o de Solano Ribeiro. É importante lembrar dele porque somos ruins de memória.
Solano Ribeiro foi o cara que criou o formato dos grandes festivais da segunda metade da década de 1960. Estava à frente do festival de 1965, da TV Excelsior, que revelou Elis Regina. Migrou para a TV Record e comandou os festivais de 1966 e de 1967.
Uma geração de ouro de compositores e intérpretes da música popular brasileira se projetou a partir dos festivais da canção que começaram a se consolidar na TV Excelsior, em 1965.
Quando o assunto era descobrir e revelar grandes talentos, Solano Ribeiro tinha um feeling extraordinário. Foi assim com Elis Regina, que ele conheceu no Beco das Garrafas.
Antes dos festivais, Solano Ribeiro foi ao Rio e viu Elis Regina cantando ao vivo numa boate. Se apaixonou duplamente: pela cantora, que já era grande, e pela mulher.
A noite terminou diante do mar de Copacabana, com beijos e juras de amor eterno. Namoraram, pensaram em casamento, mas não deu certo. Os "santos" não se cruzavam.
Solano perdeu Elis, a mulher, mas revelou Elis, a cantora, no festival em que ela emocionou o Brasil cantando Arrastão. Não há a Era dos Festivais sem a presença decisiva de Solano Ribeiro.

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