COTIDIANO
Família de paraibano morto no Recife contesta investigação e questiona tese de suicídio
Morte ocorreu no dia 2 de outubro. Mãe relata dificuldade de acesso aos documentos e cobra transparência da investigação.
Publicado em 06/11/2026 às 18:13 | Atualizado em 06/11/2026 às 18:26

O paraibano Everaldo Coelho Bernardo Filho, de 40 anos, foi encontrado morto no apartamento onde morava na cidade de Recife, capital de Pernambuco, no dia 2 de outubro de 2026. A família do analista de sistemas está questionando a tese de suicídio apontada pela Polícia Civil e alega falta de acesso aos documentos da investigação.
De acordo com o advogado que representa a família, Aécio Farias, Everaldo Coelho morreu com um tiro na cabeça. A arma utilizada pertencia à esposa dele, Luciana Paula Santos Fernandes, que é delegada da Polícia Civil de Pernambuco.
Ao JORNAL DA PARAÍBA, a mãe de Everaldo, Ana Maria Coutinho, afirmou que a família busca um laudo técnico-científico que ateste que a morte se tratou de um suicídio, e cobra mais transparência na investigação.

Ana Maria também relatou dificuldade para obter acesso aos documentos das investigações. Segundo ela, foi preciso contratar um advogado para representar a família e ter acesso a uma cópia do boletim de ocorrência.
O advogado solicitou ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa do Recife o acesso ao procedimento investigatório, preservação de vestígios e garantia de imparcialidade.
A família teve acesso a alguns laudos após mandado de segurança, determinando acesso dos familiares aos elementos de prova. Porém, a mãe de Everaldo relata que ainda não obtiveram acesso aos seguintes documentos:
- laudo da perícia do local da morte do meu filho;
- laudo das mãos em relação aos resíduos de pólvora;
- imagens das câmeras de segurança;
- entre outros.
"Houve um acidente, então, pode ter sido um suicídio ou não, mas a gente não pode determinar sem ver os laudos. O que a família está contestando é que esse acidente, ele não seja tratado como suicídio sem uma perícia que comprove", afirma Ana Maria Coutinho.
Além do acesso aos laudos periciais, exames balísticos e demais provas técnicas, o advogado solicitou a transferência das investigações para uma unidade independente caso seja comprovado qualquer conflito de interesses na corporação, pois segundo a família, o delegado responsável pelo caso integrou a mesma turma do curso de formação da esposa do paraibano.
A mãe de Everaldo também destaca que ele vivia um excelente momento profissional e pessoal, além de manter diversos projetos para o futuro. Segundo ela, ele nunca teve ideação suicida, episódios de depressão e não uvava substâncias tóxicas.
Ainda conforme relato de Ana Maria, Everaldo e a esposa deixaram São Paulo em 2025 após a mulher passar em um concurso para delegada em Pernambuco. O casal já estava junto há seis anos e meio, considerando namoro e casamento. Eles moravam junto com a filha do primeiro casamento da delegada, que tem 9 anos.

Discussão um dia antes da morte
Everaldo e a esposa já haviam se separado duas vezes e no dia 1º de outubro, um dia antes da morte, eles tiveram mais uma discussão. De acordo com a Ana Maria, a esposa de Everaldo tinha descoberto um caso extraconjugal.
O paraibano informou a mãe que haveria mais reconciliação e que iria morar com ela em João Pessoa. No dia seguinte, Ana Maria foi informada por um colega do filho sobre a morte.
O JORNAL DA PARAÍBA não conseugiu localizar a delegada Luciana Paula para falar sobre a morte de Everaldo.
Em nota, a Polícia Civil de Pernambuco informou que o inquérito da morte já foi concluído e remetido ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) no dia 28 de outubro.
A Corregedoria Geral da Secretaria de Defesa Social instaurou um procedimento preliminar para analisar a repercussão administrativa com relação ao caso.
De acordo com Aécio Farias, o perito contratado pela família deve entregar um laudo contestando a perícia de Pernambuco que concluiu por suicídio.

Comentários