COTIDIANO
Paraibano relata tensão com fortes protestos na França: “Muita polícia, muita violência"
Walfran Campos estava de passagem pela cidade de Angers e enviou vídeos ao Jornal da Paraíba neste sábado (7).
Publicado em 07/11/2026 às 18:15
Uma onda de protestos que reúne estudantes e trabalhadores tem mobilizado diferentes cidades da França, com manifestações por melhorias na educação e na saúde, melhores salários e redução do custo de vida. Neste sábado (7), o paraibano Walfran Campos, que estava de passagem pela cidade de Angers, enviou vídeos ao Jornal da Paraíba mostrando a movimentação nas ruas e relatou o clima de tensão, com episódios de depredação e presença de policiais.
Em entrevista ao portal, Walfran contou que passou por locais onde aconteciam as manifestações, mas não participou diretamente dos atos. Segundo ele, havia lojas danificadas, estruturas de pontos de ônibus quebradas e confronto entre policiais e manifestantes.
“Ah, foram muitos protestos, muito quebra-quebra, lojas quebradas, parada de ônibus. [...] As polícias atirando, tudo. Foi feio”, relatou.
O paraibano afirmou que tem acompanhado as mobilizações durante viagens pelo território francês. Além de Angers, ele citou situações observadas em Paris e nas proximidades de Amiens. Na semana anterior, segundo seu relato, estava a cerca de 30 quilômetros de Amiens quando um patrimônio histórico foi incendiado durante uma manifestação. Ele decidiu não se aproximar do local para evitar envolvimento nos atos.
Walfran também destacou a frequência das mobilizações em diferentes regiões do país.
“Isso tem protesto quase todos os dias, em toda a França. Como eu viajo muito por toda a França, circulo por quase toda a região aqui, do Norte, na Normandia e do centro da França, estou acompanhando de perto”, afirmou.
Protestos cobram melhorias na educação e na saúde

As manifestações reúnem diferentes setores da sociedade francesa, entre eles estudantes, trabalhadores e servidores públicos. As reivindicações incluem melhores condições nas escolas, valorização dos professores, melhorias na saúde e reajustes salariais.
Na educação, estudantes protestam contra problemas na infraestrutura das escolas, salas de aula superlotadas e falta de professores. As mobilizações também ganharam adesão de sindicatos e trabalhadores do serviço público, insatisfeitos com medidas de contenção de gastos propostas pelo governo francês.
Durante a entrevista, Walfran destacou que o custo da moradia também está entre as principais preocupações da população. Segundo ele, os preços dos aluguéis e dos imóveis dificultam o acesso à habitação.
“Estão reivindicando por educação, saúde e melhores salários. Aluguel e compra de casa estão muito caros. Estão reivindicando por tudo”, disse.
Crise econômica e política na França

A onda de manifestações ocorre em meio a um cenário de insatisfação econômica e instabilidade política na França, sob a gestão do presidente Emmanuel Macron e do primeiro-ministro Sébastien Lecornu.
Entre os fatores que alimentam o descontentamento estão as medidas de ajuste fiscal propostas pelo governo para conter o crescimento da dívida pública. As iniciativas incluem restrições a gastos e propostas de congelamento de salários de servidores e de parte dos aposentados.
O aumento do custo de vida, os preços dos combustíveis e as dificuldades de acesso à moradia também contribuem para ampliar as reivindicações.
O cenário é acompanhado por um Parlamento dividido e pela baixa popularidade do governo, que enfrenta dificuldades para construir consensos em torno das medidas econômicas.

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