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ECONOMIA

Custo da energia desafia indústria a buscar fontes alternativas e reduzir gastos

Segmento de sorvetes, picolés e sucos da Paraíba terá de buscar alternativas com a forte elevação do custo para manter seus negócios

Publicado em 24/05/2015 às 8:00 | Atualizado em 08/02/2024 às 18:55

Amanhã é o Dia da Indústria e há pouco o que se comemorar nesta data este ano. Além dos aspectos econômicos pouco favoráveis, a crise energética obriga o setor a inovar na busca por fontes alternativas e redução de custos. Para o segmento de gelados (sorvetes, picolés e sucos), o impacto ainda é maior com o aumento do custo da energia industrial que já subiu 38% só este ano e desafia os empreendedores da atividade. No entanto, mesmo enfrentando “quedas” na produção, empregabilidade e competitividade, essas indústrias reagem e buscam soluções para ultrapassar a fase e manter a sobrevivência do negócio.

Na Paraíba, existem 84 unidades de gelados e uma delas é a Casitus, no Distrito Industrial de Mangabeira, em João Pessoa. A diretora comercial, Renate Negreiro, afirmou que mesmo sentindo os reflexos negativos da alta do combustível e tributos este ano, o peso da energia elétrica é maior, já que este serviço é requisitado 24 horas na empresa, desde a fase de produção até armazenamento dos produtos. Para se ter uma ideia, a câmara fria, onde é guardada a produção, registra sempre 20 graus Celsius negativos.

A produção mensal de aproximadamente 60 mil litros de sorvete já caiu 10% por causa dos aumentos. A empresa ainda trabalha com picolé e açaí. Os meses de março a junho são considerados de baixas nas vendas para o setor, porém a retração no consumo em 2015 neste período será maior cerca de 10%. “Como nosso item não faz parte da cesta básica, é cortado. O pior é que o aumento na conta de energia chegou a cerca de 30% nas despesas mensais e não podemos repassar isso para os clientes porque perdemos competitividade, que ficou mais difícil este ano”, confessou.

Segundo a empresária, houve ainda alta de 7% no custo das embalagens que, por serem derivadas do petróleo, são impactadas com o reajuste do combustível. Renate Negreiro acrescentou ainda que tinha 120 freezers para repassar aos revendedores este ano, mas só distribuiu 50 porque as pessoas temem os gastos com energia elétrica.

Para a empresária, está sendo difícil manter os 22 empregados com tanta despesa, mas declarou que em agosto terá que aumentar o valor do produto. Para piorar a situação, ela contou que a Casitus perdeu um contrato com uma multinacional este ano por causa da falta de infraestrutura do Distrito Industrial, que não tem ruas calçadas nem coleta pública de lixo. “Temos que pagar para levarem nosso lixo, porque eles dizem que o carro não pode transitar na rua. Por conta desses problemas perdemos um importante contrato”, desabafou.

Outro empresário da indústria, que trabalha com gelados na Paraíba, é Hênio Régis, da Buon Gelatto, em João Pessoa. A empresa fabrica sorvete, picolés e sucos. “A energia elétrica representa entre 30% e 40% dos custos totais da empresa porque está presente em todos os processos”, frisou Hênio Régis.

Segundo ele, este ano teve que demitir 12 dos 65 empregados que tinha, o que representa mais de 18% do quadro de pessoal. A produção mensal de sorvete costuma ser de 60 mil litros, mas já caiu para 42 mil litros e este ano ainda vai baixar para 30 mil, ou seja, a metade. “Estou há 19 anos no mercado e esta é a fase mais desafiadora que enfrentei”.

Nos meses de baixa, como abril, maio e junho a compra de sorvete reduz 50%, mas este ano chegou a 60%. “Além da alta do combustível, tributos, redução no consumo ainda temos que encarar o impacto da energia cujo aumento ultrapassou os 30% na empresa. Mesmo assim, temos que segurar o preço até outubro”.

SOLUÇÕES

Diante das dificuldades, a diretora comercial da Casitus fez campanha na empresa para reduzir custos de energia elétrica, firmou parceria com a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) na busca por fonte alternativa e ainda vai diversificar a produção, com o lançamento de sucos da fruta no segundo semestre deste ano.

“Vamos vender sucos no copinho de 300 ml nos sabores de uva, goiaba, cajá e frutas tropicais. Ainda firmamos parceria com a UFPB e vou implantar na empresa um grupo gerador à base de diesel e adotar o uso de energia solar”, apontou.
Já o empresário Hênio Régis, da Buon Gelatto, expandiu a produção de sucos para outros Estados e pretende aumentar em três vezes a produção. Como tem preço mais acessível, o suco no copinho é mais comerciável e não apresenta retração nas vendas.

RAIO X DA INDÚSTRIA DA PARAÍBA

- Número de indústrias da Paraíba: 14.763. Cerca de 80% das indústrias dos Estados são MEI, micro e pequena empresas. A indústria representa 14,6% das empresas ativas no Estado;

- Concentração das Indústrias na Paraíba: O maior número de indústrias do Estado está concentrado na Região Metropolitana de João Pessoa (6.616 estabelecimentos) e no compartimento da Borborema de Campina Grande (4.150 estabelecimentos). Nas duas regiões, a concentração chega a 73%;

- Número de empregos gerados: A indústria acumula 81.229 empregos com carteira assinada (20,10% dos empregos privados do Estado);

- Participação no PIB: a indústria em geral participa com 22,8% da riqueza gerada pelo Estado. Entre os subsetores, os destaques são a indústria de transformação (8,6%) e a construção civil (5,8%) na composição do setor;

- Arrecadação do ICMS: Em 2014, o setor industrial arrecadou R$ 178,924 milhões (10,11% do total arrecadado pelos Estados entre os setores da Economia), apresentando um crescimento de 13,85% em recolhimento do ICMS sobre o ano anterior;

- Taxa de crescimento da produção industrial: No ano passado, a produção industrial cresceu 4,4% na Paraíba, enquanto a Região Nordeste fechou o ano passado com estabilidade, mas com tendência negativa (-0,2%). Já o Brasil registrou queda de 3,2% na produção industrial.


Fontes: IBGE e Receita Estadual

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Jornal da Paraíba

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