VIDA URBANA
Moradores se preparam para não ficar sem água em Campina Grande
Racionamento começará às 17h deste sábado (31) e se estenderá até as 5h da quarta-feira (4). População se previne com baldes e caixas d'água
Publicado em 31/10/2015 às 8:00
Baldes, tonéis e caixas d'água. Em menos de um ano, esses itens se multiplicaram na residência de Taíse das Neves Nascimento. A dona de casa, que mora na Vila Cabral de Santa Terezinha, em Campina Grande, já se acostumou à rotina de armazenar e economizar água em razão do racionamento na cidade. No entanto, com a ampliação da medida, o receio de ficar sem água para as necessidades domésticas fez Taíse adquirir mais uma caixa d'água de 200 litros. A atitude dela não é isolada e se reflete em grande parte dos moradores do município, que agora se preparam para passar mais tempo sem água nas torneiras, já que a partir desse final de semana o racionamento em Campina Grande começará às 17h do sábado (31) e se estenderá até as 5h da quarta-feira (4).
Garrafas pet, garrafões de água mineral e até mesmo panelas. Na casa de Taíse, vários recipientes servem para armazenar água. “Assim que começou o racionamento, eu não tinha tantos, mas foi precisando de mais água e eu fui comprando. Antes de desligarem a água eu já deixo tudo cheio e depois faço só as coisas essenciais, como tomar banho e cozinhar. Espero que a água dure até quarta, porque vou economizar, mas é muito tempo”, contou Taíse.
A ampliação do racionamento acontece em 19 cidades abastecidas pelo açude Epitácio Pessoa (Boqueirão), que está hoje com 14,4% de sua capacidade. No sistema integrado de Campina Grande, a interrupção no abastecimento passa de 60 para 84 horas por semana. Já para o sistema integrado do Cariri, o racionamento sai de 36 para 72 horas por semana de água. Essa é a segunda vez que a medida é ampliada somente este ano e, desta vez, acontece com um agravante, a diminuição da vazão de 881 para 650 litros de água por segundo, por determinação da Agência Nacional das Águas (ANA). Mesmo diante desse cenário, a expectativa da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) é otimista.
“Eu tenho dito que a população de Campina Grande absorveu o racionamento e tem dado uma lição para o Brasil. Apesar de ainda encontrarmos pessoas lavando carros e calçadas, fazendo uso inapropriado e irresponsável da água, essa é uma pequena parcela da população. É preciso sacrifício. A Cagepa está preparada, trocamos equipamentos, pessoal, frota, então a nossa expectativa diante dessa realidade é de mais uma vez atravessarmos esse período da melhor forma possível, otimizando o consumo de forma responsável. É preciso sacrifício”, ressaltou o gerente regional do órgão, Simão Barbosa. O racionamento começou em dezembro do ano passado.
Entretanto, para algumas cidades que ficam na ponta dos sistemas e chegavam a passar até 15 dias sem água, esse quadro tende a se agravar ainda mais. No município de Lagoa Seca, por exemplo, o abastecimento só acontece em dois a cada quinze dias. Nesse caso, a saída é priorizar o abastecimento das pessoas carentes, que não podem comprar água e mesmo armazenando ficam sem, além dos serviços públicos essenciais, como escolas e unidades de saúde, afirmou o secretário de Agricultura da cidade de Lagoa Seca, Pedro Fialho.
“O pior é que a gente nem mesmo tem fontes alternativas de abastecimento, porque os poços não dão conta da necessidade. Como passamos muitos dias sem água na cidade, entregamos fichas de distribuição de água à população mais carente, que dão acesso às caixas de água comunitárias da cidade. Já na zona rural, contamos com o apoio da Operação Carro-Pipa, do Exército. Com essa ampliação, não sabemos como vai ficar”, frisou o secretário.
Conforme o gerente regional da Cagepa, o abastecimento de algumas cidades acontece dessa forma por conta da redução de vazão e com a ampliação do racionamento, segundo ele, nada irá mudar, a princípio. “De início, o abastecimento será feito da mesma maneira, mas avaliaremos a situação e, se for necessário, vamos ajustar novamente o fornecimento de água para esses municípios. Todas as localidades abastecidas por Boqueirão vão ter que se adequar. A economia de um ajuda no abastecimento de outro”, finalizou.
Além de Campina Grande, mais 90 cidades passam por racionamento na Paraíba em razão da estiagem prolongada, que afeta uma população de mais de 1,5 milhão de pessoas.

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