VIDA URBANA
Portadores convivem com o preconceito
Victor Buriti revela que crianças são impedidas de brincar com outras que têm AIDS .
Publicado em 19/08/2012 às 14:09
Crianças e adolescentes que têm o vírus da Aids convivem diariamente com o preconceito. Na escola, na rua e até mesmo dentro de casa, com os familiares. De acordo com Vitor Buriti, não faltam exemplos de situações de crianças que são impedidas de brincar com outras que têm Aids. “Os pais não querem que os filhos brinquem com crianças que têm a doença. Ainda há muitos mitos em relação à forma de transmissão”, declarou. Há casos de creches que se recusaram a receber crianças com a doença.
Também há relatos de diretores que colocaram um inspetor para 'vigiar' um aluno com Aids, para impedir que ele brincasse com outros colegas.
No entanto, quando a transmissão é vertical (ou seja, quando a mãe passa para o filho), muitos pais preferem manter o diagnóstico em segredo, na tentativa de evitar o preconceito.
Para isso, trocam os rótulos dos medicamentos e evitam falar sobre a doença. Porém, com o passar do tempo, as crianças começam a perceber que há algo diferente. “Geralmente isso ocorre quando as crianças começam a ler”, disse Buriti.
Atualmente a ONG Missão Nova Esperança atende 58 crianças e adolescentes.
A realidade, geralmente, vem à tona mais cedo ou mais tarde. É muito difícil, segundo o presidente da ONG, manter em segredo o diagnóstico. “Às vezes a escola descobre porque a criança adoece e passa dias sem ir para a aula”, frisou. Segundo ele, quando o diagnóstico é aberto, a criança ou adolescente tem uma melhor qualidade de vida. “O preconceito acaba sendo um peso a mais e dificulta muito o tratamento e a vida dessas crianças e adolescentes”, afirmou.
ORIENTAÇÃO
O Ministério da Saúde orienta os pais a identificar o melhor momento e forma para contar a soropositividade da criança. É fundamental explicar todas as mudanças que a Aids implica.
Os profissionais de saúde defendem que a criança saiba da doença o quanto antes, para que chegue à adolescência ciente da realidade, das suas responsabilidades e dos seus direitos.
Para o Ministério da Saúde, o atendimento médico pode ficar prejudicado quando a criança ou o adolescente não sabem da doença.

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