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SAÚDE

Câncer raro acomete crianças

Casos são atendidos no Napoleão Laureano; existe registro até de um tipo de tumos que só foi atendido apenas uma vez no Estado.

Publicado em 27/04/2014 às 6:00 | Atualizado em 29/01/2024 às 12:25

Aos 4 anos, a pequena Salmara enfrenta uma rotina desgastante de sessões de quimioterapia. A garota foi diagnosticada no início de abril com linfoma na região do baço, após peregrinar por quase um mês, vindo do município de Café do Vento, no Agreste, por vários hospitais de João Pessoa sem receber o diagnóstico correto da doença. O caso da menina e a leucemia são os principais tipos de câncer que afetam a maioria das crianças, segundo informou o diretor clínico do Hospital Napoleão Laureano, localizado em João Pessoa, Fernando Carvalho.

“A leucemia tem um volume maior de pacientes, mas outros tipos de câncer raros também podem acontecer. O Hospital Laureano é o único do Estado, na rede do SUS, que trata a oncologia pediátrica e a leucemia”, destacou o médico, lembrando ainda que tipos raros de câncer podem surgir nas crianças, como o tumor chamado Neuroectodérmico Melanótico da Infância, registrado no hospital em 2010.

Segundo informações do médico patologista do hospital, Alexandre Rolim, a criança diagnosticada com a doença tinha 49 dias e era do sexo feminino. O médico revelou que o tumor estava localizado no interior da boca do bebê e tinha aproximadamente quatro centímetros.

“Este tumor é extremamente raro, com pouquíssimos casos relatados na literatura e sendo o único caso registrado no hospital até hoje. São de difícil diagnóstico, incidem principalmente na região crânio-facial de crianças, e, em cerca de 80% dos casos acometem crianças antes dos seis meses de vida”, explicou o patologista, lembrando ainda que a criança em questão passou por cirurgia e recuperou a saúde.

O médico alerta ainda que se este tipo de tumor não for diagnosticado rapidamente pode deixar sequelas e oferecer risco de morte para o paciente. Outro tipo de tumor que não é muito comum em crianças são os localizados na região do intestino. Assim como Maria José Cavalcanti, mãe de Salmara, o pequeno Wendelley Silva, de 9 anos, também vive um drama.

Quem vê o sorriso largo do garoto ansioso para andar de bicicleta nem desconfia que ele passou por uma cirurgia na última semana para a retirada de um tumor no intestino. Este tipo de câncer também não é comum na faixa etária do garoto, segundo os médicos.

Para melhorar o atendimento infantil no Napoleão Laureano, Fernando Carvalho revelou que a instituição pretende ampliar os equipamentos da ala infantil e construir uma Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica, com disponibilidade para seis leitos.

“Nós queremos inaugurar essa UTI até o final deste ano, para atender também os casos mais graves. Já temos profissionais capacitados para isso e só faltam os equipamentos”, disse.

CASOS INCOMUNS EM ADULTOS

Além dos tipos raros de câncer que afetam as crianças, há casos incomuns também diagnosticados em adultos, como um tipo de tumor identificado como osteossarcoma. Das cerca de 8 mil consultas realizadas todos os meses no local, pelo menos um paciente sofre deste problema, segundo informou o médico patologista do hospital, Alexandre Rolim.

Um dos últimos casos foi o de um jovem com 23 anos. Conforme o médico, o tumor surgiu em uma das pernas do paciente. Segundo o médico, 50% desse tipo de câncer afeta mais frequentemente os ossos do joelho e ocorre no público na faixa etária abaixo dos 20 anos.

“Estes tumores geralmente surgem como massas dolorosas de crescimento progressivo que, não raramente, o jovem relaciona o seu surgimento a história de pancada na perna. São extremamente agressivos com cerca de 10% a 20% dos pacientes apresentando metástase pulmonar ao diagnóstico”, explicou o médico.

Ainda segundo Alexandre Rolim, esse tipo de tumor é tratado com cirurgia e quimioterapia com a cura em cerca de 70% dos casos.

Entre as cerca de 8 mil consultas realizadas todos os meses no Hospital Laureano, em pelo menos 10% delas são diagnosticados pacientes com tumores renais. De acordo com o médico Alexandre Rolim, esse tipo de tumor geralmente é maligno e afeta principalmente pessoas acima dos 60 anos.

“Em cerca de 40% dos casos são descobertos incidentalmente, quando os pacientes realizam exames de imagem da região abdominal, a exemplo da tomografia computadorizada e ultrassonografia. Às vezes, os pacientes referem dor na região lombar, hematúria (urinar sangue) ou massa palpável. São tumores tratados através da extirpação do rim ou de parte dele. Existem mais de 30 subtipos de neoplasias renais, cada um deles com um comportamento e prognóstico diferentes.

NAPOLEÃO LAUREANO SE PLANEJA PARA FAZER TRANSPLANTE DE MEDULA

Seja do tipo raro ou mais recorrente, como câncer de colo de útero, mama ou próstata, o Hospital Napoleão Laureano conta com três aparelhos de tecnologia de ponta, adquiridos entre 2011 e 2013, para as dosagens de radioterapia e quimioterapia.

Conforme o diretor clínico da instituição, Fernando Carvalho, são atendidas cerca de 200 pacientes por dia em cada máquina.

“Nós contamos com o que existe de mais moderno para o tratamento de neoplasias malignas. O nosso serviço de anatomia patológica é hoje o mais bem equipado da Paraíba e talvez até do Nordeste”, explicou Fernando Carvalho. Ainda segundo o diretor, o hospital conta ainda com um aparelho de Braquiterapia, adquirido há 8 meses. Com este equipamento, os pacientes recebem os resultados dos exames em até 5 dias.

Outra serviço importante no hospital é a ampliação da equipe médica especializada em cirurgias de cabeça e pescoço. Este ano, a equipe passou de três para seis profissionais, além das equipes de fonoaudiologia, psicologia (para pacientes e acompanhantes) e fisioterapia.

Segundo o diretor, o hospital se planeja para realizar transplante de medula e a expectativa é que este serviço comece a funcionar até 2017. “Os pacientes que precisam desse tipo de transplante são preparados aqui, mas são transferidos para hospitais de outros Estados. Temos recursos humanos, equipamentos. Mas , falta o espaço físico para nos adequar e começar fazer os transplantes”, disse.

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Jornal da Paraíba

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