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VIDA URBANA

Insegurança no Centro: CG registra mais de 70 ocorrências este ano

Dentre os casos estão ainda arrombamentos, arrastões e assaltos que, ultimamente, têm se tornado cada vez mais frequentes.

Publicado em 15/09/2015 às 10:00

“Graças a Deus aqui 'ainda' não aconteceu, mas sabemos que quem não foi assaltado, vai ser.” Essa sensação de insegurança e impunidade está presente de forma unânime no discurso de trabalhadores, comerciantes e moradores da área central de Campina Grande. E não é pra menos, pois isso é reflexo das repetidas práticas criminosas que acontecem no local quase que diariamente. Somente neste ano, de janeiro até o último domingo, pelo menos 69 ocorrências, 48 de roubo e 21 de furto, já foram registradas pelo Centro Integrado de Operações Policiais (Ciop).

Dentre os casos estão ainda arrombamentos, arrastões e assaltos que, ultimamente, têm se tornado cada vez mais frequentes. Além disso, algo que impressiona é que a ação dos bandidos independe da presença de câmeras ou do fluxo de pessoas no local. A sensação é que nada mais intimida os criminosos e prova disso é que a maioria das ocorrências acontecem no período da manhã, entre 11h às 12h e da tarde, das 13h às 14h.

Somente nos últimos 3 meses, o Ciop registrou 16 roubos e seis furtos em estabelecimentos comerciais do Centro da cidade. Já em setembro, em menos de 15 dias, outras seis ocorrências de roubo e mais quatro de furto somam-se às estatísticas. Alguns locais, inclusive, são alvo da ação mais de uma vez, como na semana passada, quando os bandidos arrombaram a mesma loja duas vezes em menos de 24 horas. E na madrugada do último domingo o caso quase se repetiu, a tentativa só foi frustrada porque o bandido avistou uma viatura da Polícia Militar e evadiu-se do local.

Já na sexta-feira passada, uma ocorrência chocou a cidade. Os bandidos não se intimidaram em um dos horários de mais movimento comercial, véspera de final de semana e término de expediente e tentaram arrombar o cofre de uma loja de roupas na rua Maciel Pinheiro. Neste caso, a ação foi impedida pelas polícias Federal, Militar e Civil, que trabalhavam em conjunto, mas o fato trouxe ainda mais à tona a insegurança que ronda o local. Uma das últimas ações registradas aconteceu na noite deste domingo, quando dois indivíduos em uma moto fizeram um arrastão em uma pizzaria localizada na rua Treze de Maio, levando dinheiro, celulares e objetos pessoais dos clientes.

Além dos casos violentos, como assaltos e arrombamentos, os comerciantes reclamam também da presença de menores, que praticam pequenos furtos e saem impunes das lojas. “Algumas vezes, um grupo de meninas entra, distrai o vendedor e realizam os furtos, isso é comum aqui”, disse Renan Costa, gerente de uma loja de sapatos na rua Maciel Pinheiro.

A empresária Roberta Campos, que possui um pequeno estabelecimento de revenda de joias na rua Venâncio Neiva, comentou que a presença policial inibe a ação dos bandidos e infratores, mas quase nunca é vista. “Nós ficamos mais tranquilos quando tem polícia aqui, pelo menos durante o dia, que é o período em que estamos com a loja aberta. Temos nossa responsabilidade, mas pagamos impostos e temos que cobrar a nossa segurança”, criticou.

A estudante Marília Almeida é moradora do Centro e também já sentiu na pele a insegurança do local. “À noite e aos finais de semana é praticamente impossível circular aqui pelas ruas. Eu já fui assaltada na esquina do meu prédio e não ando em paz”, desabafou. Até mesmo para o turista do Rio de Janeiro João Benício, que já veio quatro vezes a Campina Grande, a situação está caótica. “Já fui alertado para andar com cuidado, principalmente aqui no Centro. Isso é intrigante, comparando à cidade que moro, por exemplo, é assustador”, disse ao destacar que faltam policiais para coibir as práticas criminosas.

Nossa reportagem esteve no Centro da cidade das 11h ao meio-dia e durante todo esse tempo apenas uma viatura da Polícia Militar foi vista passando na avenida Floriano Peixoto. Na Unidade de Polícia Solidária Móvel que fica na Praça da Bandeira, batemos à porta, mas também não encontramos nenhum policial presente.

Segurança privada

Preocupados com essa realidade, cada vez mais os lojistas e comerciantes têm investido em segurança privada e instalação de câmeras, para tentar, de alguma forma, inibir a ação dos bandidos, relatou o presidente da Associação Comercial de Campina Grande (ACCG), Álvaro Barros. “A cidade está sitiada e nós vemos isso com bastante preocupação. Desde o ano passado fazemos constantes apelos para que a polícia intensifique as rondas. De alguns dias pra cá, esses casos têm aumentado bastante e, mesmo fazendo a nossa parte, nos sentimos de mãos atadas”, avaliou.

CDL cobra rondas

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Artur Almeida, diz que o problema tem se agravado, e não são apenas registrados arrombamentos, mas até assaltos à mão armada durante o dia. Para Artur, o déficit no efetivo policial tem estreita relação com as ocorrências. “Sempre enviamos ofício para a polícia, pedindo reforço policial, porque o Centro termina sendo um campo certo para essas ações, principalmente agora com a chegada do final de ano, quando a movimentação deve aumentar. Mas sabemos que o contingente é pequeno, e isso nos causa problemas”, destacou.

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Jornal da Paraíba

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