POLÍTICA
Barreto: "Decisão do PTN em apoiar Ricardo é um estupro"
Professor que pretendia ser candidato a prefeito da capital acusa partido de retomar aos tempos das "masmorras da ditadura".
Publicado em 30/05/2008 às 15:26
Phelipe Caldas
O professor e economista Francisco Barreto (PTN) falou no início da tarde desta sexta-feira (30) sobre a decisão do diretório estadual de seu partido em destituir a atual comissão provisória de João Pessoa e se posicionar como “aliado irrestrito” a reeleição do prefeito Ricardo Coutinho. A medida vai de encontro ao objetivo de Barreto em ser candidato à Prefeitura da capital paraibana, e por isso foi classificada por ele como sendo “um estupro ao processo democrático”.
Barreto, que já foi secretário da Gestão Ricardo Coutinho e que atualmente faz oposição ao prefeito, disse que “não é assim que se faz política”, pois uma decisão como esta é uma “retomada aos tempos das masmorras da ditadura”.
Ele declarou ainda que, a despeito do que o partido decidiu, vai “lutar bravamente” para virar o jogo e garantir o “direito constitucional de ser candidato”. “Uma democracia séria se faz com o debate de teses, mas infelizmente o que prevaleceu neste caso foi a ditadura do dinheiro”, destacou.
Mesmo sem citar nomes, Francisco Barreto disse estar certo de que a decisão foi tomada a partir de barganha política e depois de “rolar muito dinheiro”. “Tudo o que posso dizer é que uma decisão destas não sai de graça, e que onde existe corrupção existe corruptores e corrompidos”, disparou.
A proposta de apoiar Ricardo Coutinho em João Pessoa foi apresentada por Alecxiana Vieira, prefeita de Marizópoles e vice-presidente estadual do PTN, e aprovada por cinco votos contra dois. Ela é aliada do senador Ney Suassuna (PMDB), que na semana passada já tinha sido acusado por Barreto de tentar barrar sua candidatura em João Pessoa.
O presidente estadual da legenda, Vailson Oliveira, declarou por sua vez que a decisão é irreversível e que diz respeito apenas a soberania que os partidos políticos têm em decidir suas próprias candidaturas e estratégias políticas. A explicação é em resposta a declarações anteriores de Barreto, que não descartou a possibilidade de acionar a justiça para garantir sua candidatura.

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