CULTURA
Premiado filme estrelado por artistas paraibanas estreia hoje em João Pessoa
Diretor Camilo Cavalcanti e as atrizes Marcélia Cartaxo e Zezita Matos falam sobre 'A História da Eternidade'.
Publicado em 02/04/2015 às 6:00 | Atualizado em 16/02/2024 às 11:03
“É uma fábula trágica sobre amor, desejos e sonhos”, resume o diretor pernambucano Camilo Cavalcante sobre A História da Eternidade (Brasil, 2014), premiado longa estrelado pelas paraibanas Marcélia Cartaxo e Zezita Matos, que entra na programação do ‘Cinema de Arte’, em João Pessoa. Nesta quinta-feira, os três estarão na sessão de estreia, às 19h, no Cinépolis (Manaíra Shopping).
O filme mostra um artista (Irandhir Santos) que ajuda uma garota (Debora Ingrid) a ver o mar pela primeira vez, uma viúva (Cartaxo) que reluta abrir seu coração para um sanfoneiro cego (Leonardo França) e uma avó (Matos) que recebe a visita do neto, cujo regresso é por causa de uma fuga de um passado turbulento no Sul.
A História da Eternidade foi filmado em Santa Fé (PE), pequena vila que fica a 60 km de Petrolina. “Lá tem uma igrejinha secular, algumas casas e um enorme cemitério. Um vilarejo que tem mais gente morta do que viva”, explica Camilo. “Um espaço mágico, sem internet, onde o único meio de comunicação é um orelhão”.
Apesar da visão estereotipada do Sertão brasileiro pela mídia em geral, o cineasta atenta para o cultivo humano que geram frutos para serem usados como arquétipos dos sentimentos humanos que fazem parte de qualquer povo no mundo. “O Sertão é o território da alma humana. As relações interpessoais brotam de maneira franca e honesta, sem nenhuma lapidação”.
Para Cavalcante, o filme lança o olhar feminino nas figuras da cearense Debora Ingrid e das paraibanas Marcélia e Zezita. “São mulheres em fases distintas da vida. Mergulhamos nesse universo de cabeça”.
“É uma história muito sofrida e forte”, analisa Marcélia Cartaxo. “Eu fui buscar muitos sentimentos e verdades na vivência dessa história”.
Já a figura do pernambucano Irandhir Santos representa o lado artístico do ser humano. “Ele fala com o mundo. A arte tem esse papel de transformar e sensibilizar. Ele é um artista incompreendido e maltratado que tenta encontrar seu espaço no mundo. É a personificação de todos os artistas”.
Em determinada cena, Irandhir ‘dialoga’ com uma performance da música ‘Fala’, do Secos e Molhados. Zezita Matos relembra que a sequência foi ovacionada no Festival de Paulínia (SP) ano passado, onde o filme recebeu oito prêmios. “O público se identificou demais com o filme, que é muito visceral. Ele foi aplaudido três vezes na exibição”, frisa a atriz.
DOMINGUINHOS
Em A História da Eternidade reside o último trabalho de Dominguinhos (1941-2013) através dos acordes do personagem de Leonardo França. Já a trilha sonora é do polonês Zibgniew Preisner, autor dos arranjos de filmes do Krzysztof Kieslowski (1941-1996). “A sanfona de Dominguinhos casa bem com a melancolia do Leste Europeu”.

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