Jararaca-do-Jabre: nova espécie é descoberta por cientistas na Paraíba

Para concretizar estudos sobre serpentes, incluindo a jararaca, pesquisadores da UFCG contaram com a contribuição de instituições nacionais.

Espécie resgistrada agora tem escamas diferentes. Na imagem está a jararaca fêmea. Foto: Marcelo Kokubum

A descoberta de uma nova espécie de jararaca foi divulgada neste mês de janeiro, pesquisadores da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). As serpentes foram encontradas no Pico do Jabre, no Sertão da Paraíba. A espécie, até então desconhecida, foi registrada através de um artigo publicado numa revista científica canadense.

O Pico do Jabre é o ponto mais alto do estado da Paraíba, com 1.197 metros de altitude. Região de Caatinga, a altitude permite um diferencial em relação aos demais locais que abrigam o bioma. O clima ameno, com ampla vegetação, pode ser uma das razões para presença de uma serpente de comportamento distinto das espécies já conhecidas.

Jararaca-do-Jabre

O animal possui o nome científico Bothrops jabrensis, mas agora é conhecida como jararaca-do-jabre. A descoberta foi feita em 2016, e o responsável pela equipe que estava presente no achado é o biólogo e professor universitário Marcelo Kokubum. Ele contou que avistou duas serpentes, uma macho e outra fêmea, em uma das idas de rotina ao pico, que fica no município de Matureia. Na época, as idas ao local faziam parte de um projeto de pesquisa sobre anfíbios e répteis. 

Em uma das visitas convencionais o professor se deparou com uma jararaca que lhe despertou curiosidade, tanto por se diferenciar dos tipos conhecidos por ele na aparência, quanto pelo comportamento. 

“Chegamos a achar que era um outro tipo de jararaca, uma que costuma estar na Caatinga. Mas essa nos chamou atenção pois estava no solo e na vegetação”, explica o cientista. 

Serpente vive na região do Pico do Jabre, na Caatinga. Foto: Marcelo Kokubum

A dúvida do pesquisador foi esclarecida com a ajuda de colegas, um do Instituto Chico Mendes (ICMBio), Marcos Antonio de Freitas, e outros do Instituto Butantan, Fausto Barbo e Felipe Graziotin. Um quinto pesquisador foi procurado, o especialista na taxonomia de serpentes, Gentil Pereira Filho, da Universidade Federal da Paraíba. 

A jararaca foi levada a um laboratório para ser examinada, e os cientistas concluíram que se tratava de uma espécie ainda não identificada. Entre as principais diferenças estava a morfologia. 

Diferenças das outras jararacas

Segundo o professor Marcelo, a espécie pode ser diferenciada principalmente pelo número de escamas e pela coloração. Além disso, ela apresenta hábitos arborícolas (vive em árvores) e está presente em uma localidade longe das demais espécies mais relacionadas (espécies-irmãs) de jararacas de ambientes florestais.

No Instituto Butantan, além das análises morfológicas foram realizadas análises moleculares, que revelaram a diferenciação genética desta espécie com as demais já descritas para o Brasil. De acordo com o Butantan. o país possui mais de 30 espécies de jararacas. 

A nova espécie encontrada no Sertão paraibano foi batizada de jararaca-do-jabre, em homenagem ao pico onde foi encontrada. Para o pesquisador Marcelo, que teve o primeiro contato, as principais contribuições da descoberta foi compreender e desvendar a biodiversidade, apresentando espécies que são parte da nossa fauna.

Pesquisadores temem pela preservação da espécies endêmica. Na imagem está a jararaca macho. Foto: Marcelo Kokubum

Ao registrar novidades como essa, os cientistas podem propor medidas de conservação e proteção dessas espécies antes desconhecidas. O artigo publicado destaca, ainda, que a espécie é considerada endêmica, isso significa que ela só pode ser encontrada no Pico do Jabre. Desse modo, os pesquisadores acreditam que ela já se encontra ameaçada, visto que o local é uma região de constante caça ilegal e incêndios. 

“O encontro desta nova espécie de serpente para uma região diferenciada no meio da Caatinga já seria suficiente para que esta região fosse delimitada como área de proteção já que, além dela, outras espécies de animais e plantas podem também estar ameaçadas”, conclui o professor Marcelo.