Jararaca é venenosa? Conheça espécie de cobra mais comum no Brasil

Cobra jararaca é uma das mais comuns presentes no território brasileiro e o JORNAL DA PARAÍBA explica se esse animal é ou não venenoso.

Espécie registrada tem escamas diferentes. Na imagem está a jararaca fêmea. – Foto: Marcelo Kokubum

A jararaca é uma cobra venenosa, mas é preciso contextualizar, inicialmente, a biologia do animal. De acordo com Karla Patrícia, bióloga e professora da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), a jararaca é uma cobra peçonhenta.

Jararacas são ou não venenosas?

Segundo a bióloga, cobras peçonhentas são bichos que possuem um aparelho inoculador para a entrega da substância tóxica (que seria o veneno). Esse aparelho no animal pode ser uma presa, ferrão ou algo do tipo. No caso das jararacas, as presas na mandíbula do animal são ocas, e ao picar um animal ou ser humano ela injeta a substância tóxica produzida pelo organismo da serpente. Em caso de picada da jararaca no ser humano, o veneno pode causar hemorragia localizada e sistêmica, dor, edema e/ou necrose.

Animais venenosos são aqueles que não possuem presas ou ferrões para injetarem o seu veneno noutros animais, e utilizam outras formas de espalhar o seu veneno, principalmente como forma de defesa.

Espécies de cobras jararacas

Existem mais de 30 espécies de cobras jararacas catalogadas. Na Paraíba, a espécie mais comum é a Bothrops erythromelas, que é mais conhecida pelos nomes de jararaca-da-serra ou jararaquinha. A espécie que é abundante na Paraíba é de pequeno porte, medindo cerca de 60 cm de comprimento.

A bióloga Karla Patrícia explica que identificar determinada espécie de cobra jararaca é uma missão delicada para quem não conhece as serpentes, e que as fêmeas se diferem dos machos fisicamente. “É quase impossível para quem não conhece [as cobras jararacas]. No geral, as fêmeas possuem uma cauda mais curta que a dos machos, mas esta característica também é difícil de identificar, pois depende da idade do animal e de cada espécie”, explica.

O Instituto Butantan destaca que as cobras jararacas possuem desenhos em forma de ferradura na lateral do corpo do animal, com cores geralmente mais escuras que no restante do corpo.

Uma das características que difere as espécies de cobras jararacas é quanto à tonalidade da pele da serpente. “A nossa Bothrops erythromelas [espécie abundante da Paraíba] é avermelhada para se confundir com a vegetação da caatinga, seu habitat natural”, orienta a bióloga. 

cobra; jararaca
Foto: Arquivo Pessoal/Karla Patrícia/Divulgação

O que fazer em caso de picada?

  • Caso seja picado por uma cobra, não se deve amarrar o local. Segundo a biólogo Karla Patrícia, fazer garrotes, sugar a área onde foi picado ou aplicar soluções ineficazes pode agravar o envenenamento;
  • não se deve cortar o local ou fazer perfurações;
  • o local da picada deve ser lavado com água e sabão;
  • a vítima deve ser levada o mais rápido possível ao hospital;
  • é importante tentar identificar a serpente (pode ser por foto, se possível) pois isso facilitará para escolha do soro antiofídico a ser aplicado.

Quem procurar caso seja picado?

  • Entre em contato com os Bombeiros (193) ou com a Polícia Ambiental do seu município (190);
  • Em caso de acidente com serpente, entre em contato com o Samu (192), os Bombeiros (193) ou se dirija ao hospital público mais próximo;
  • Em caso de dúvidas ou orientações sobre procedimentos de primeiros socorros, ligue para o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox) de João Pessoa, pelo telefone 0800 722 6001/ (83) 3216 7045, ou de Campina Grande, pelo contato 0800 722 6001/(83) 3310-5853.

Museu de répteis no Agreste da PB

Mais de 300 animais recebem cuidados e são mantidos em um museu de répteis, localizado em Puxinanã, no Agreste paraibano. No local, diversas espécies podem ser conhecidas pelo público. Dentre os animais que são mantidos no local está a cobra jararaca.

A visitação ao zoológico é aberta ao público aos domingos (em dias de semana é necessário realizar agendamento prévio).