Pacientes esperam por cirurgias

Carência de médicos e descredenciamento de hospitais fazem com que a fila de procedimentos cirurgicos demopre até 10 meses. 

A dona de casa Maria do Socorro Alves dos Santos, 58, teve a vesícula estrangulada devido à longa espera de oito meses para fazer a cirurgia na rede pública, em João Pessoa, para remover pedras no órgão. A demora entre a marcação e o procedimento cirúrgico na capital não é um caso isolado no Estado e, segundo o Sindicato dos Médicos da Paraíba (Simed-PB), decorre principalmente da desistência de hospitais públicos e médicos em realizarem cirurgias, em virtude dos baixos valores da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS), além da falta de hospitais no interior do Estado.

Maria do Socorro contou que havia marcado a cirurgia no mês de outubro do ano passado e que somente no último dia 11 conseguiu passar pelo procedimento cirúrgico no Hospital Municipal Santa Isabel, em João Pessoa. “Nesses oito meses que esperei, meu estado se agravou. A demora fez a vesícula estrangular, foi preciso deixar um dreno para secar o líquido que ficou retido, que segundo o médico, se em 15 dias não resolver, terei que ser cirurgiada novamente”, contou.

A também dona de casa Doralice Lourenço de Oliveira, 57, sofria de tendinite nas mãos há muito tempo. Entre a marcação da cirurgia e a realização do procedimento esperou dez meses. “A cirurgia foi marcada em agosto do ano passado. A demora foi tanta que meus exames se venceram e tive que refazê-los na rede particular para poder fazer a cirurgia (no Santa Isabel) na sexta-feira passada”, afirmou.

Para o presidente do Sindicato dos Médicos da Paraíba (Simed-PB), Tarcísio Campos, o grande causador do problema é a tabela que remunera o Sistema Único de Saúde (SUS), em que os valores pagos pelas cirurgias, tanto para o hospital, quanto para o médico, é irrisório. “Com os baixos valores, muitos hospitais e médicos que faziam cirurgias eletivas cortaram os serviços, pois não é atrativo para ambos, e consequentemente, a fila de espera foi aumentando, deixando a rede pública sobrecarregada. É necessária a atualização dessa tabela para que novos hospitais e médicos se estimulem e voltem a trabalhar para a rede pública”, avaliou.

Tarcísio Campos disse que embora não tenha um número oficial exato sobre filas de espera para procedimentos cirúrgicos, há informações, repassadas pelos próprios diretores dos hospitais do Estado e municípios, que apontam maior incidência de demora para cirurgias de ortopedia e cardiologia, entre outras especialidades.

“No Hospital de Trauma, incluindo HTOP (Hospital de Trauma de Ortopedia da Paraíba, antigo Protoncor), e Ortotrauma (Trauminha), em Mangabeira, tem uma grande quantidade de pacientes aguardando cirurgias ortopédicas de urgência, mas que não conseguem ser realizadas em tempo hábil. Outra situação de um tempo de espera considerável é para as cirurgias cardíacas, realizadas em maior volume em João Pessoa, por ser referência no Estado”, afirmou.

Ainda de acordo com o presidente do Simed-PB, somente no Hospital Santa Isabel, mensalmente, são realizadas aproximadamente 400 cirurgias e cerca de 600 procedimentos no Trauminha, “mas não dá vazão às demandas, devido à grande procura de pacientes de outras regiões, por conta da falta de hospitais no interior do Estado”.