Palpitações: quando o coração perde o ritmo

Na maioria dos casos, elas duram pouco, desaparecem sozinhas e não representam risco.

Palpitações: quando o coração perde o ritmo

O ritmo normal das batidas do coração de um adulto está entre 60 e 100 por minuto. Isso quer dizer que o coração bate cerca de 100 mil vezes por dia, 3 milhões de vezes por mês e 37 milhões no ano. Tenho certeza que você nunca se atentou para isso. Mas basta ele sair do ritmo por um instante que seja para você logo perceber algo que errado está acontecendo.

Uma das queixas mais frequentes no consultório são as palpitações. A pessoa procura ajuda médica relatando que o coração está batendo de forma irregular, ora acelera ora parece que vai parar. Isso leva a sensações ruins como tontura, falta de ar e até desmaios. Essas alterações no ritmo do coração são conhecidas como arritmias cardíacas. As bradicardias acontecem quando o coração bate mais lento que o normal e as taquicardias quando ele bate mais depressa.

Na maioria dos casos, as arritmias duram pouco, desaparecem sozinhas e não representam risco para a saúde. Exercícios físicos ou um estresse emocional podem fazer seu coração chegar até a 200 batidas por minuto. Cafeína, fumo, álcool e outras drogas estimulantes também podem desencadear batimentos irregulares. É paixão, ansiedade, correria ou doença? Essa é a pergunta que sempre fazemos diante das palpitações: tudo isso pode tirar seu coração do ritmo certo.

Atenção aos sintomas

É bom ficar atento se as palpitações vierem acompanhadas de tontura e falta de ar. Nesses casos, pode ser que elas sejam sinais de alguma doença mais séria e que precisa de investigação. Em pessoas com coração normal, quando o fator que desencadeou a arritmia é cessado, o ritmo cardíaco também se restabelece rapidamente.

Já uma arritmia que persiste por mais tempo pode levar a quadros de insuficiência cardíaca, uma lesão persistente no músculo cardíaco que se torna incapaz de realizar sua função de forma adequada. Palpitações acompanhadas de aperto no peito ou de desmaio são sempre graves, é preciso procurar socorro imediatamente.

Os principais exames para avaliar a saúde do coração são o eletrocardiograma, o ecocardiograma e o teste ergométrico. No caso de arritmias, o médico pode solicitar um holter: nesse exame, um aparelho registra todos os batimentos cardíacos ao longo de 24 horas, enquanto o paciente realiza suas atividades rotineiras.

Ao visitar seu médico, é importante que você descreva em detalhes os sintomas, isso ajuda a entender o que acontece no seu coração e fazer o diagnóstico correto. Relatar como os sintomas começaram, o tempo de duração, se além das palpitações você está apresentando outros sintomas e também o uso de medicações são essenciais para orientar o tratamento. É importante se atentar se o início das queixas está ligado a algum tipo de esforço ou mesmo estresse.

Tratamentos variados

O tratamento varia para cada tipo de arritmia. Algumas pessoas podem ter batimentos bem lentos e isso não representar nenhum problema. Um exemplo disso são os atletas bem treinados. Quando a frequência do coração está muita baixa, o tratamento nos casos graves pode ser o implante de um marcapasso.

Nos casos de taquicardia, o tratamento vai desde medicamentos e cirurgias, passando inclusive por implante de desfibriladores nos casos mais graves. Esse aparelho detecta mudanças graves no ritmo do coração e emite um choque para corrigir os batimentos se for necessário.

Quando na investigação, a gente não encontra nenhuma doença no coração ou nenhum histórico familiar de doença cardíaca na família e mesmo assim o paciente relata sintomas de taquicardia, o problema pode ser causado por consumo excessivo de cafeína, fumo, estresse ou mesmo uso de medicamentos.

No caso de pessoas com relato de calor intenso, perda de peso, ansiedade e queda de cabelo, a chave do problema pode estar na tireóide. Nestes casos, o médico irá avaliar os níveis de hormônio.

É importante lembrar que o controle da pressão arterial, dos níveis de açúcar e gordura no sangue, a prática de atividades físicas e evitar substancias tóxicas e situações de estresse são formas de ficar distante das arritmias.

* André Telis é médico cardiologista, colunista de Saúde na CBN João Pessoa e escreve sobre o tema às quartas-feiras no Jornal da Paraíba