Usuários do SUS faltam às consultas e prejudicam outros pacientes em JP

Prática conhecida como absenteísmo na capital chega a 43,7% em consulta em Urografia e a 38,9% em ultrassonografias transvaginais.

Da Redação
Com informações de Secom-JP

Uma prática que está se tornando muito comum entre os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) em João Pessoa está prejudicando muitos pacientes: o absenteísmo. Ou seja, marcar uma consulta ou o exame e não comparecer no dia.

Essa prática faz com que muita gente espere mais do que deveria para ser atendido. Em João Pessoa, esse número chega a 43,7% em consulta em Urografia e a 38,9% em ultrassonografias transvaginais. Ou seja, de cada 100 pessoas que marcam uma consulta em Urografia mais de 43 não comparecem no dia e no local marcados.

Segundo um relatório feito pela Diretoria de Regulação da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), do total de consultas e exames especializados de janeiro a abril de 2009, 33,5% não puderam ser realizados porque o paciente faltou. Foram 174.008 consultas e exames que poderiam ter beneficiado outras pessoas e não foram feitos porque o usuário não compareceu.

Exames muito procurados como a utrassonografia de mama, por exemplo, tiveram um percentual de falta de mais de 32%. Apenas no Cais de Jaguaribe foram 11.095 exames ou consultas especializadas que deixaram de ser realizados entre janeiro e março deste ano. Esse número corresponde a um total de 42,5% de todos os procedimentos marcados para este período.

No cais de Jaguaribe, 71,98% das pessoas que agendaram uma consulta em oftalmologia não procuraram o serviço, assim como 60% das pessoas que marcaram uma consulta com um endocrinologista.

De acordo com a Diretoria de Regulação, Mércia Dantas, as faltas dos usuários às consultas e exames especializados geram um desequilíbrio na oferta desses procedimentos. “A ausência do usuário gera a má utilização da oferta e um crescimento progressivo da demanda reprimida com a consequente redução da oferta. Agrega-se a isso os prejuízos à saúde daqueles que realmente necessitam de atendimento, pois a crescente demanda reprimida reduz a possibilidade de acesso”, garantiu.

Os próprios usuários reclamam do que chamam de falta de consciência de outros usuários. “É errado porque a pessoa precisa do exame e da consulta para a sua saúde e é errado porque outras pessoas que também precisam ficam esperando porque a vaga esta ocupada”, diz Jandira Nascimento Silva, usuária do SUS.

Causas do absenteísmo

As causas do absenteísmo, segundo pesquisa feita pelos Distritos Sanitários, são várias. “O aspecto socioeconômico, notadamente nas áreas de vulnerabilidade social, é o que predomina. Dificuldades do usuário em arcar com o transporte ou por não poder faltar ao trabalho, não poder esperar a data marcada e procurar outro meio de resolver seu problema de saúde e até o excesso de encaminhamento às clínicas especializadas podem ser citados como parte do problema”, comentou Mércia.

Ações para diminuir o absenteísmo

Para reduzir o absenteísmo estão sendo realizadas ações conjuntas pela Diretoria de Regulação, Gerência de Serviços Especializados, Distritos Sanitários e Centros de Atenção Integral à Saúde. Algumas delas podem ser destacadas:

– A partir de maio de 2009 foram ampliadas 360 consultas em Neurologia ofertadas mensalmente, as quais são realizadas nos CAIS Jaguaribe e CAIS Mangabeira (160 em cada CAIS);
– Implantação de overbooking nas agendas diárias dos prestadores dessa especialidade, na Central de Marcação de Consultas e Exames Especializados;
– Implantação de um anexo da Central de Marcação de Consultas e Exames Especializados, no Hospital Universitário Lauro Wanderley, a partir da 2ª quinzena de agosto, permitindo um controle efetivo no registro das presenças ou faltas, possibilitando reduzir e dimensionar o absenteísmo real nessas especialidades.