Em plena sexta-feira 13, Zé do Caixão dá dicas sobrenaturais à criançada

Cineasta respondeu perguntas de jovens em debate na Bienal do Livro. "Nesta noite, passe por uma encruzilhada e atravesse um cemitério", sugeriu.

Do G1

As luzes se apagaram na Sala Clarice Lispector, mas não era mistério de Zé do Caixão. Minutos antes da apresentação de abertura do cineasta José Mojica Marins na 21² Bienal Internacional do Livro de São Paulo, marcada para às 13h desta sexta-feira (13), o Pavilhão do Anhembi ficou pela segunda vez, em menos de 30 minutos, sem energia elétrica.

Mas bastou a luz voltar para as crianças que encheram o "Salão de ideias" iluminarem a sala com as luzes de suas câmeras fotográficas em direção ao Zé do Caixão. "Perguntas inteligentes, respostas inteligentes, perguntas cretinas, respostas cretinas", avisou à criançada, durante o debate batizado de “Zé do Caixão levará sua alma”.

Além de contar ao público como começou no cinema, Mojica também comentou sua infância, crenças religiosas, o fim do mundo em 2012 ("é bom alugar um túnel para fugir do meteoro", sugeriu) e respondeu à diversas perguntas sobre os filmes de terror da atualidade, em especial os de vampiros. "Crepúsculo’ é fitinha de boiola. São vampiros de meia tigela", provocou, arrancando aplausos.

Experiências para a sexta-feira 13

O diretor, cujo personagem tem quase 40 décadas de vida, também aproveitou a data – sexta-feira 13 – para estimular os jovens a realizarem experiências sobrenaturais na madrugada desta noite. "Atravesse um cemitério, passe numa encruzilhada, procure uma macumbeira e converse com ela sobre o que vem depois da morte. Quem sobreviver terá uma bela história para contar para seus filhos e netos".

Mojica comentou, com bom humor, que começou sua carreira no cinema para atrair o sexo oposto. "Nos anos 40, uma época sem TV e computador, eu via imagens fantásticas no cinemão. O que mais me chamou a atenção foi perceber que o salão era repleto de meninos e meninas, e que nas sessões de terror as meninas caíam em cima dos meninos", riu ele, que não acredita que terá um sucessor no Brasil.

"Aqui nós copiamos muito, esse é o mal do cinema nacional: copiar. Ninguém vai me superar", afirmou, apesar de acreditar que está para surgir por aí um ator desconhecido que possa se destacar no gênero do terror.

Novo livro

Fã dos filmes "O bebê de Rosemary" e "Os outros", e também dos trabalhos de Boris Karloff, Mojica aproveitou a oportunidade para adiantar que irá começar a produzir um novo filme em outubro. Também usou o dia para lançar o livro infantil "O livro horripilante de Zé do Caixão", da editora Panda.

"A ideia [de escrevê-lo] surgiu há seis, sete anos, durante apresentação a um grupo de mais de 300 jovens. Gostei de adaptar contos de terror com ilustrações legais. Me saí bem contando histórias minhas de infãncia e de meus amigos",explicou ele, que ficou preocupado em deixar mensagens morais nos contos. "Se você faz o mal irá sofrer o mal".

No final do debate, uma jovem desafiou o diretor a comentar se, em época de eleições, a política brasileira está mais para filme de comédia ou de terror. "Você tocou numa coisa chata", respondeu. "A política brasileira é o cenário perfeito do inferno".

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