Paraibano conquista segundo lugar em festival de dança na Alemanha

Geovan da Conceição apresentou a coreografia “Fissurar”, avaliada como visceral.

Geovan da Conceição. Foto: Arquivo pessoal

Um paraibano conquistou o segundo lugar no 25º Internationales Solo-Tanz-Theater Festival Stuttgart, na Alemanha. Geovan da Conceição foi premiado com a coreografia “Fissurar”, inspirada em sua própria história de vida, que também é a realidade de muitas crianças e adolescentes brasileiros.

A apresentação foi on-line, por causa da pandemia. Ele foi o único brasileiro a participar da competição internacional, que é uma das mais renomadas da dança. Os jurados classificaram a coreografia como visceral.

 

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Geovan da Conceição. Foto: Arquivo pessoal

 

O convite para o festival surgiu após o bailarino participar de uma reportagem sobre os 20 anos da Escola de Teatro Bolshoi, reunindo ex-alunos que tiveram sucesso na carreira. Exibida no Brasil e em outros 72 países, a matéria foi vista pelo diretor do festival, que entrou em contato com Geovan e o incentivou a participar, deixando claro que ele não teria privilégios e que iria concorrer na seleção como todos os demais.

Geovan, que é professor de dança e chefe da Divisão de Dança da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope), já foi membro da Escola de Teatro Bolshoi no Brasil. Ele foi selecionado na infância, por meio de um projeto social da prefeitura, e permaneceu aluno dos 11 aos 19 anos.

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Criação da coreografia “Fissurar”

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Geovan da Conceição
Foto: Arquivo pessoal

O bailarino conta que, para a criação da coreografia “Fissurar”, pensou em mostrar a realidade difícil que viveu ainda criança. Na infância, ele foi morador da comunidade do Citex e do abrigo Morada do Betinho, em João Pessoa.

“Pensei em criar algo que pudesse fazer uma ligação com o que os jovens brasileiros passam. Quis mostrar o que me aconteceu na infância, algo traumatizante. Vi homicídios, vi violência e muita coisa ruim, inclusive familiares se perdendo por causa de drogas e alcoolismo”.   

Hoje, além de chefe da Divisão de Dança da Funjope, Geovan é professor de danças para crianças e adolescentes em um colégio privado de João Pessoa e no Centro Estadual de Arte (Cearte). Ele defende a educação e arte como meio de transformação social.

“A educação amplia nossos horizontes, pois passamos a ter mais compreensão das coisas. A arte tem o poder de mudar vidas, por meio dela, nos tornamos pessoas mais sensíveis”, afirmou ele ao Jornal da Paraíba.