Marighella: “Sabemos que o filme foi censurado”, diz Luiz Carlos Vasconcelos

Ator paraibano conversou com o JORNAL DA PARAÍBA sobre a estreia. Ele interpreta Joaquim Câmara Ferreira, guerrilheiro e amigo de Marighella.

Luiz Carlos Vasconcelos nos bastidores de Marighella Foto: Reprodução/ redes sociais

A pré-estreia do filme “Marighella – O guerrilheiro que incendiou o mundo”, dirigido por Wagner Moura, acontece nesta segunda-feira (1º). O paraibano Luiz Carlos Vasconcelos interpreta Branco (Joaquim Câmara Ferreira), também guerrilheiro e amigo de Marighella (Seu Jorge).

O longa, que conta a história do guerrilheiro baiano que lutou contra a ditadura militar, é lançado no Brasil dois anos depois da estreia no Festival de Berlim, em 2019. Equipe enfrentou embates com a Agência Nacional do Cinema (Ancine) e campanhas de boicote, antes mesmo de chegar às telas.

Luiz Carlos Vasconcelos convida os paraibanos para assistirem a pré-estreia que acontece a partir das 21h20, no Cinépolis do Manaíra Shopping. O ator estará presente no evento e chegará antes do início da exibição para conversar com o público sobre a estreia.

“Convido toda a comunidade pessoense a ir para essa pré-estreia, é importantíssimo que se vá ao cinema na primeira semana para garantir a permanência do filme em cartaz. Fica aqui o meu convite. Espero encontrá-los mais tarde na sala 8”, expressou ele.

Ao JORNAL DA PARAÍBA, o ator paraibano afirmou que a história do filme é sobre personagens “convictos de que tinham que lutar pela liberdade do Brasil”. Ele ressalta que o que aconteceu no longa é uma história real e “que precisa ser contada”.

Boicote e censura

Em 2019, a estreia de Marighella foi adiada no Brasil, por falta de liberação de verbas que já tinham sido usadas na produção e precisam ser ressarcidas. A Ancine alegou que a motivação foi trâmite burocrático.

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No entanto, Luiz Carlos Vasconcelos acredita que houve uma tentativa de boicote ao filme. “Sabemos que o filme foi censurado, foi boicotado. Tentou-se de todas maneiras impedir que ele estreasse no Brasil”, afirmou.

O ator espera que o filme fomente debates sobre as formas de resistência. “Desejamos que o filme venha provocar debates. Que a gente possa refletir sobre nossa passividade com a história desses guerrilheiros, desses patriotas trazer a questão da resistência”.

“Jamais pegaria em armas, mas não posso julgar esses homens e mulheres”

Luiz Carlos Vasconcelos ressalta que quando se fala em resistência, não se está defendendo luta armada. O ator se considera um pacifista, mas diz que não julga os homens e mulheres da época da ditadura militar que enxergaram a luta armada como saída para a liberdade.

“Quando eu falo resistência, o filme conta um período da história dentro da ditadura militar muito delimitado. Eles optaram por uma luta armada. Quem sou eu para julgá-los? Eles avaliaram que naquele período da história era a saída que tinham. Eu sou um pacifista, jamais pegaria em armas, mas não posso julgar esses homens e mulheres”, afirmou o paraibano.