Exposição reúne obras do paraibano Tomás Santa Rosa, em João Pessoa

Paraibano foi cenógrafo, artista gráfico, ilustrador, pintor, figurinista e crítico de arte de no Brasil, tendo sido homenageado por nomes como Carlos Drummond de Andrade e Rubem Braga.

Foto: Reprodução/Tomás Santa Rosa

O Centro Cultural São Francisco, em João Pessoa, recebe uma exposição de obras do paraibano Tomás Santa Rosa, a partir desta quinta-feira (2). Os itens pertencem à coleção do também paraibano Luizmar Medeiros de Oliveira. O evento de abertura começa às 10h e terá uma mesa redonda sobre a produção do artista, reunindo a professora Bernardina Freire, o professor e artista plástico Chico Pereira e o designer Rildo Coelho, que obteve o título de Mestre em Ciência da Informação com estudo sobre o artista.

Tomás Santa Rosa Júnior foi cenógrafo, artista gráfico, ilustrador, pintor, figurinista e crítico de arte no Brasil. Nascido em João Pessoa, no dia 20 de setembro de 1909, o paraibano viveu por muitos anos com a família na rua da Areia, no Centro. Desde os nove anos de idade, já demonstrava talento artístico, tendo chamado a atenção do governador Camilo de Holanda se dispôs a custear seus estudos na Europa, mas a mãe não aceitou separar-se do menino.

Na capital paraibana, ele se formou em Ciências e Letras e se dedicou à arte de capas de livros. O artista então se tornou muito solicitado pelas maiores editoras e colocou sua marca em obras de José Lins do Rego, Jorge Amado, Graciliano Ramos, José Américo de Almeida, Afonso Schmidt, Lúcio Cardoso, Mário de Andrade, Marques Rebelo, Rachel de Queiroz, Guimarães Rosa, Josué de Castro, Menotti del Picchia, Dinah Silveira de Queiroz e Carlos Drummond de Andrade, entre outros.

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Atuação no teatro

Tomás Santa Rosa
Foto: Reprodução/ Acervo Idart/Centro Cultural São Paulo

Tomás Santa Rosa era negro e militou contra o racismo, colaborando com Abdias do Nascimento e Ruth de Souza no Teatro Experimental do Negro. A companhia buscava colocar o artista negro como protagonista, quebrando as barreiras do preconceito racial que impunham a estes papéis secundários ou pitorescos. Nesse grupo, ele foi cenógrafo e figurinista.

Santa Rosa também produziu cenários para outras companhias, incluindo peças de Nelson Rodrigues, óperas de Camargo Guarnieri e bailados de Villa-Lobos. Seu cenário para a peça Vestido de Noiva, de Nelson, tornou-se um marco na moderna cenografia teatral.

O artista morreu em 1956, em Nova Delhi, na Índia, após uma forte crise renal. Ele estava no país representando o Brasil na Conferência Internacional de Teatro, realizada em Bombaim, e na Conferência Geral da Unesco, realizada na capital indiana.

Seu corpo foi recebido no Brasil pelo presidente Juscelino Kubitschek. O paraibano foi homenageado por Carlos Drummond de Andrade, Rubem Braga, Manuel Bandeira, Carlos Lacerda, José Lins do Rego, Mauro Mota, Marques Rebelo, Raimundo Magalhães Jr, Rachel de Queiroz, Joaquim Ribeiro, Paulo Mendes Campos e Otto Maria Carpeaux.