“A melhor receita de mulher é ser o que ela quiser, estar onde desejar, se vestir e se sentir bem em sua própria pele”

Nesta sexta-feira (04), abro espaço para artigo da professora Nadia Farias dos Santos.

BELEZA DE MULHER: VISTA A SUA PRÓPRIA PELE

Nadia Farias dos Santos

“Beleza é fundamental”.

Essa frase, recortada do poema Receita de Mulher, de Vinícius de Moraes, e repetida inúmeras vezes e em diversos contextos, sempre me incomodou.

Que beleza é fundamental? Aquela que estampa o nosso exterior ou a interior?

Temos uma tendência irritante de aderir a frases feitas e de efeito, sem, muitas vezes, parar para pensar no que elas significam e quais estereótipos ajudam a reforçar. Falar em beleza é muito complexo, uma vez que temos representações em nossa mente de uma beleza padrão: branca, cabelos lisos ou levemente cacheados, corpo escultural. Tudo o que destoar disso vai navegar no limbo do não belo, ou, quem sabe, o mais ou menos aceitável, se não ferir demais esses padrões estabelecidos.

Há inúmeras receitas de como ser mulher ditadas, reproduzidas e consumidas pela sociedade. Assim como, numa receita de um bolo, há certos ingredientes indispensáveis. A começar por sermos belas, recatadas e do lar em proporções quase iguais. Frisando aqui que o belo não inclui a maioria de nós que estamos fora desse ideal de beleza fabricado por olhares, mas nem por isso menos belas. Além disso, temos que ser dóceis, suaves, silenciosas, obedientes, perfumadas, alegres, porém comedidas. Sério? No mundo repleto de diversidades, de diferentes jeitos de ser e estar nele, de cores espalhadas por uma paleta infinita de possibilidades, de texturas, de formas… Ainda nos prendemos e consumimos receitas prontas que desvalorizam as outras formas do “ser belo”.

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Na real, a melhor receita de mulher é ser o que ela quiser, estar onde desejar, se vestir e se sentir bem em sua própria pele, com seu cabelo, suas curvas, seus volumes, suas cores, suas formas, independente das tentativas do mundo de enquadrá-la na beleza perfeita e irreal das capas de revistas.

Não há beleza mais cativante do que aquela que vem de dentro. Do interior de um corpo e uma mente que se aceita, que não se prende a padrões impostos.

Essa, sim, é a beleza fundamental.

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Nadia Farias dos Santos é integrante do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação, Gênero e Diversidade (Negedi) e do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi), ambos do IFRN. Pedagoga, mestre em ensino (UERN), doutoranda em educação (UFPB) e docente do IFRN, campus Apodi.