Quer chamar a Globo de Globolixo, que chame, mas que o JN arrasou no editorial sobre os 500 mil mortos, não há como negar

Que a esquerda fala mal da Globo, muitas vezes de forma totalmente equivocada, a gente já sabe.

Longe de ser de direita, sou jornalista e entendo o papel que os grandes veículos de comunicação desempenham.

Agora, a ultradireita falando mal da Globo, aí é coisa da era Bolsonaro.

Os comentários dos bolsonaristas nas redes sociais sobre o que eles chamam de Globolixo são tão imbecis que fazem rir.

A cobertura da Globo à pandemia do novo coronavírus é impecável, sobretudo no Jornal Nacional.

É jornalismo de qualidade voltado para o que é certo: a gravidade da doença, os esforços da ciência, o trabalho do pessoal da área de saúde, a dor de quem perdeu parentes para a Covid-19, a politização da pandemia, etc.

Sábado, dia de folga dos titulares, William Bonner e Renata Vasconcellos estavam na bancada, noticiando que o Brasil atingira a trágica marca dos 500 mil mortos.

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Cada um de nós tem os seus. Parentes, amigos, conhecidos, anônimos, famosos.

É uma tragédia como nunca vimos.

O editorial de uns três minutos lido por Bonner e Renata foi foda (sim, esse tipo de palavrão está liberado nos jornais, creio que depois do “foda-se” do general Augusto Heleno).

Falou das mortes e da solidariedade aos enlutados, falou do papel do jornalismo e da postura da emissora e falou de culpa e culpados.

Culpa e culpados. Foi o que achei mais forte no texto.

Culpa e culpados. A gente sabe de quem é a culpa de termos ido tão longe na pandemia.

A gente sabe quem são os culpados (podemos dizer no singular mesmo).

Sabe tanto que o editorial nem precisou mencionar.