Pais não nasceram para enterrar os filhos. Morte de Dudu Braga é mais uma nota triste na vida de Roberto Carlos

O músico Dudu Braga morreu na tarde desta quarta-feira (08) em São Paulo. Tinha 52 anos e era o filho mais velho de Roberto Carlos com Nice, primeira mulher do cantor. Dudu estava em tratamento, tentando cronicizar um câncer incurável no pâncreas com metástase no peritônio.

Estive com ele uma vez. Bruno Filho e eu entrevistamos Dudu na CBN João Pessoa. Dudu Braga nasceu com um glaucoma congênito e era completamente cego desde os 24 anos. Sim. Cego. Era a palavra que usava em seu trabalho cidadão. Não se preocupava com o vocabulário do politicamente correto.

Era cego e tirava os óculos escuros diante de você sem qualquer problema, mostrando os olhos de quem, de fato, é cego. Achei isso admirável nele. O enfrentamento da deficiência e a consciência que tinha do trabalho que podia fazer, sendo filho de um artista tão importante quanto Roberto Carlos, a quem chamava de paizão.

As Flores do Jardim da Nossa Casa, uma das canções mais tristes de Roberto Carlos, foi feita quando o menino nasceu e teve a doença diagnosticada. Está no disco que o Rei lançou em 1969. Por sua vez, Dudu dizia, todo cheio de orgulho, que contribuíra com um dos versos de Cama e Mesa.

Era baterista de uma banda: RC na Veia. O grupo tocava o repertório de Roberto Carlos em versões pesadíssimas. O RC na Veia gravou um CD e um DVD ao vivo, com vários convidados. No final, Roberto Carlos entra em cena e mostra que também é muito bom quando o assunto é rock pesado.

A gente sabia que Dudu Braga ia morrer. Seu câncer era incurável e de difícil cronicização. Sua morte é mais uma nota triste na vida de Roberto Carlos, como o acidente grave que sofreu na infância e a perda de Maria Rita. Os pais não nasceram para enterrar os filhos. Amado por milhões de fãs, o Rei é um homem de olhos fundos e carregados de tristeza.