Paul Simon faz 80 anos. Estados Unidos, África do Sul, Brasil. Sua música é do mundo

Paul Simon faz 80 anos nesta quarta-feira (13). É um dos grandes da geração de compositores populares projetados nos Estados Unidos a partir da década de 1960. Judeu de origem húngara nascido em New Jersey, ele começou fazendo música inspirado na tradição folk. Formou dupla com outro garoto judeu, Art Garfunkel, colega de escola. Os Everly Brothers foram uma das maiores inspirações para Simon e Garfunkel.

O sucesso veio quando a gravadora deles, a Columbia, eletrificou uma versão acústica de The Sound of Silence, um dos temas do filme A Primeira Noite de um Homem. Mrs. Robinson, The Boxer, America, Homeward Bound, Bridge Over Troubled Water – foi um sucesso atrás do outro. Simon compunha letra e música. Ele e Garfunkel cantavam. A dupla se desfez em 1970.

Em seu caminho individual, Paul Simon mostrou que a música dos Estados Unidos não lhe bastava. Ele tinha olhares voltados para o mundo. O primeiro grande sucesso do disco que lançou após o rompimento da dupla – Mother and Child Reunion – foi um reggae, a nova onda que os jamaicanos levaram para Londres e que começava se espalhar pelo mercado internacional de música pop.

Da estreia solo até Still Crazy After All These Years, Simon fez três grandes álbuns de estúdio. Num deles, Sivuca aparecia como solista. Um disco ao vivo também marcou essa fase de sua carreira. No palco, o artista tinha seu repertório interpretado em parceria com um grupo de gospel, outro de música tradicional do Peru.

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Os que ouviram Paul Simon desde o início dos anos 1970, preferem, naturalmente, os discos que ele fez naquela década, mas seu grande passo foi a ida à África do Sul – então, sob um regime racista de minoria branca – para gravar um álbum com músicos negros que o mundo não conhecia. Graceland foi lançado em 1986 e se transformou num êxito mais comercial do que artístico – o que me parece uma tremenda injustiça e um equívoco a ser reparado.

Depois de Graceland, Simon gravou no Brasil. Teve Milton Nascimento no seu disco e esteve no disco de Bituca. Belas vozes, belos duetos. Levou os irresistíveis tambores do Olodum para o estúdio e também para os palcos. Em Nova York, em 1991, os percussionistas baianos acompanharam Paul Simon no Central Park, num concerto para uma audiência de 750 mil pessoas.

Simon sempre foi um melodista muito inspirado. Seus críticos depois de Graceland dizem que ele abriu mão da melodia em benefício do ritmo. Há algo de verdade nessa afirmação. Mas não acho que haja demérito. É uma aspiração legítima do artista buscar outros caminhos, e Paul Simon o fez. Lembrando a letra da canção, continua louco depois de todos esses anos? Não sei. Mas celebro o artista nos seus 80 anos e reverencio o admirável songbook que nos legou.