Flávio Tavares diz que o presidente Bolsonaro não é fascista e, sim, um psicopata perigoso

Foto: Agência Brasil

Li na Folha, em artigo da jornalista e escritora Karla Monteiro, e compartilho com os leitores da coluna: “Estamos no caos pelo caos, fazendo elogios ao absurdo. O Bolsonaro não é fascista. Os fascistas carregavam uma ideia de país. Ele é um psicopata perigoso”.

O argumento não é da autora do artigo. É citado por ela. Na verdade, é de Flávio Tavares. Flávio, jornalista nascido no Rio Grande do Sul, testemunha ocular da Cadeia da Legalidade – a ação do então governador gaúcho Leonel Brizola, em 1961, para garantir a posse do vice João Goulart no episódio da renúncia de Jânio Quadros. É história do Brasil.

Para os que não conhecem Flávio Tavares, acrescento que, durante a ditadura militar, ele foi preso, submetido a tortura e, mais tarde, exilado. Sobreviveu, voltou anistiado e, hoje, tem perto de 90 anos.

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O que me chamou atenção no seu argumento foi a afirmação de que os fascistas carregavam uma ideia de país. Sim. Porque defendo a tese de que, para o bem e para o mal, os militares brasileiros – os do golpe de 64 – também carregavam uma ideia de país.

Costumo dizer que a ditadura é sempre pior do que a democracia, por mais frágil que esta seja. Numa ditadura, por exemplo, esse meu texto não seria publicado. Muito menos a opinião de Flávio Tavares. Mas costumo dizer também que há no comportamento de Bolsonaro absurdos que não havia nem nos presidentes do período de exceção.

E, para muito além desses absurdos, não há no presidente Jair Bolsonaro um esboço palpável dessa ideia de país que Flávio Tavares enxerga até mesmo nos fascistas.