Com Bolsonaro, o Brasil vive a tragédia de ter um presidente da República mentiroso

Nesta terça-feira (26), será votado o relatório da CPI da Covid. No texto, o senador Renan Calheiros deve pedir o indiciamento do presidente Jair Bolsonaro por nove crimes. Chegamos ao fundo do poço: estamos nas mãos de Renan Calheiros. Mas assim é a política, e não adianta demonizá-la.

Em sua edição desta segunda-feira (25), o Jornal Nacional dedicou oito minutos ao que muitos consideram como o crime mais recente do presidente da República: a live em que Bolsonaro fez associações entre a vacina contra a Covid e a Aids. O Facebook já havia derrubado, no domingo, a live do presidente. Ontem, o Youtube tirou do ar por uma semana o canal de Bolsonaro.

No jornalismo, o bom senso recomenda prudência no uso de adjetivos quando se quer criticar uma pessoa. Sobretudo uma pessoa pública. Mais ainda, o presidente da República. Não mais no Brasil atual. Os críticos de Bolsonaro já perderam a cerimônia. E o presidente faz por onde, é merecedor da ausência dela. Até o Jornal Nacional, outrora tão austero nas adjetivações, adotou outro tom.

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Sempre achei muito forte chamar o presidente de mentiroso. Mas Bolsonaro tem demonstrado cabalmente que é isso o que ele é. Um mentiroso contumaz, alguém disse ao comentar essa live. A associação que ele fez entre a vacina e a Aids só não soa mais absurda porque muitos milhões de brasileiros deixaram de enxergar – estão, literalmente, cegos – o que é verdadeiramente absurdo e, assim, banalizam o que não pode ser banalizado.

Sob Jair Bolsonaro, o Brasil vive a tragédia de ter um mentiroso na presidência da República. Os que ainda guardam um resíduo de esperança em seus corações torcem para que essa figura abjeta não seja premiada com mais um mandato.