Marília Mendonça? Esquerda intelectualizada devia prestar mais atenção em artistas como ela

Marília Mendonça? A esquerda intelectualizada devia prestar mais atenção em artistas como ela. Mas não presta. “Você pensa assim, Sílvio?” – ouvi a pergunta. “Claro que sim” – respondi. É tão simples. E é tão óbvio. “Mas logo você, que tem um gosto musical refinado?”. E a conversa segue.

Sabem o que penso realmente? Que a esquerda brasileira, especialmente essa intelectualizada, apanha, apanha e segue sem aprender. É gente arrogante que fala no povo mas que não quer saber qual é a do povo. Sabem essas pessoas que dizem que a música brasileira acabou e que fogem do funk como o diabo foge da cruz?

Sou um ouvinte de gosto intelectualizado? Sou, sim. Gosto de Villa-Lobos, Duke Ellington, Tom Jobim, Ray Charles. Mas tenho uma percepção não intelectualizada da música popular como grande fenômeno. E quem me deu a primeira grande aula sobre esse tema foi meu queridíssimo amigo Egberto Gismonti, há quase 40 anos.

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Eu quis, na minha juventude, arrancar de Egberto uma opinião contundente sobre o que muita gente considerava a música brasileira de má qualidade. Gismonti me surpreendeu. Disse que não via as coisas desse modo. E que o bom era que a música brasileira tinha toda essa diversidade. Por isso ela era (e é) tão grande.

Essa discussão estava nas redes sociais depois da morte de Marília Mendonça, sexta-feira (05) num acidente aéreo. A esquerda intelectualizada surpresa com o sucesso da moça, que tinha apenas 26 anos. Gente que não sabia, nem ao menos, da existência dela – Marília, suas canções de sofrência e sua voz de força inconfundível.

A música brasileira vive um momento ruim? Não vejo assim. A música brasileira vive o tempo presente. E os tempos são diferentes.