Você já imaginou Sérgio Moro presidente? Pois pense no Brasil! Reze pelo Brasil!

Em 2014, numa rede social, um amigo de esquerda me dirigiu a seguinte frase: “Não tenho culpa se você gosta de FHC e de Bolsonaro”. Equivocada, por um lado, porque não cabe a comparação. Ofensiva, por outro, porque jamais me ocorreria gostar de um ser abjeto como Jair Bolsonaro. De FHC, gosto, sim. Admiro, respeito.

Em 2014, portanto, já tínhamos Bolsonaro fora das sombras nas quais se escondeu por tantos anos de mandatos parlamentares. Em 2017, é só consultar os arquivos da coluna, Bolsonaro já entrava em meu radar como possível presidente da República. Não ser da editoria política talvez me permitisse o distanciamento.

Lembro disso agora por causa de algo que temo estar enxergando para o futuro do Brasil: a possibilidade de Sérgio Moro (Foto: Twitter) ser o sucessor daquele de quem foi ministro da Justiça. O homem que ludibriou um país quer agora ser seu presidente – li algo assim em artigo de Jânio de Freitas, domingo na Folha.

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As imagens de Michelle Bolsonaro comemorando a ida de André Mendonça – um ministro terrivelmente evangélico – para o Supremo são uma das sínteses do bolsonarismo no poder. Os pulos, o “glória a Deus!”, as palavras numa língua que não entendemos – tudo desmoraliza o velho Estado laico e, portanto, a Constituição.

Sérgio Moro não é tosco como Bolsonaro. Mas pode ser mais perigoso. Pode levar o país a um abismo ainda mais profundo. Entre um projeto econômico atraente às elites e ao mercado e um aprofundamento dos ataques à democracia, maior do que o promovido por Bolsonaro. Moro presidente? Pense no Brasil! Reze pelo Brasil!