Não Olhe Para Cima é modinha. Bolsonaro e a pandemia levaram o resto de humor que eu ainda tinha

Não Olhe Para Cima. A novidade no catálogo da Netflix. Todo mundo só fala no filme de Adam McKay. É uma comédia trágica em tom de caricatura que está encantando os críticos da ultradireita. Eu também abomino a ultradireita, essa que, no Brasil, chegou ao poder com a eleição de Jair Bolsonaro. Só que sou um cinéfilo chato e exigente.

Vi Não Olhe Para Cima e não gostei. Deu uma saudade danada de um clássico dos anos 1960, o Dr. Fantástico, de Stanley Kubrick. Aí sim, um filme extraordinário, com um humor corrosivo, que mostra os senhores da guerra prontos para destruir o planeta. Quando, no filme de Adam McKay, aquele maluco sobe num foguete disposto a enfrentar o cometa que ameaça a Terra, há uma menção à cena final Dr. Fantástico.

Vi e cultuo as grandes comédias sofisticadas e mordazes que se transformaram em clássicos do cinema. A título de ilustração, cito somente as de Billy Wilder. Não Olhe Para Cima está mais para o besteirol. Agrada porque é politicamente correto. Mas não é bom cinema, apesar de Cate Blanchet e Meryl Streep. Acho que é apenas modinha.

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Para seduzir o cinéfilo que sou, era preciso muito, mas muito mais. Já temos a realidade na qual estamos inseridos sem a certeza de que vamos superá-la. Não preciso vê-la encenada tal como em Não Olhe Para Cima. O presidente Jair Bolsonaro e a pandemia do novo coronavírus levaram o resto de humor que eu ainda tinha.

PS: Uma amiga feminista que gostou do filme fez uma ressalva que reproduzo. Por que uma mulher e não um homem na presidência dos Estados Unidos?