Cássia Eller morreu há 20 anos. Superior a Marisa Monte, foi a nossa melhor cantora dos anos 1990

Estive com Cássia Eller (Foto: reprodução) duas vezes nos bastidores da TV Cabo Branco. Numa, apenas um rápido cumprimento. Na outra, uma conversa muito descontraída. Guardei a impressão de que era um amor de pessoa.

Vi Cássia Eller no palco apenas uma vez, em abril de 1998, na pista de atletismo do Ibirapuera, São Paulo. Abriu a noite que seguiria com as apresentações de Bob Dylan e dos Rolling Stones. Fazia a turnê do álbum dedicado ao repertório de Cazuza. Era vigorosa sua performance.

Nesta quarta-feira (29), faz 20 anos que Cássia Eller morreu. Depois da longa turnê do Acústico MTV, teve um enfarte fulminante naquele final do ano de 2001. Estava com 39 anos.

Cássia Eller tinha praticamente a mesma idade da geração do rock brasileiro que explodiu nos anos 1980, mas sua carreira só se consolidou nos anos 1990. Foi bom pra ela: escapou da nociva pasteurização que contaminou a indústria do disco na década de 1980.

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Era uma grande cantora. Uma das nossas grandes cantoras, sem qualquer dúvida. E tinha um ecletismo – não gosto da palavra, mas é isso mesmo – admirável na escolha do repertório, brilhando sempre na performance vocal. Ia de Ataulfo Alves a Jimi Hendrix, de Chico Buarque a Nando Reis, de Edith Piaf aos Beatles.

Para muita gente, Marisa Monte é a maior cantora brasileira consolidada na década de 1990. Discordo. Para mim, é Cássia Eller. Inclusive no quesito ecletismo. O de Cássia, que foi da margem ao sucesso, sempre me pareceu mais verdadeiro. Ela permanece nas minhas audições.