Vacinar era uma coisa normal. Deixou de ser no Brasil de Bolsonaro

Albert Sabin nasceu na Polônia, numa família de judeus, mas viveu nos Estados Unidos, onde estudou medicina. Como pesquisador, desenvolveu a vacina contra a poliomielite – essa gotinha que a gente conhece tão bem. Eu ainda era criança quando meu pai me ensinou que o Dr. Sabin fez um bem imenso à humanidade.

A lembrança mais remota que tenho de uma vacina é justamente a da gotinha. Primeira metade da década de 1960. O posto de vacinação era no Grupo Escolar Santo Antônio, perto da nossa casa, no bairro de Jaguaribe. Fui levado por minha mãe. A gotinha tinha nome: Vacina Sabin.

Depois, lembro daquela pistola que assustava as crianças. Também tomei. Não lembro quando nem o motivo. Provavelmente, para prevenir a varíola.

Da adolescência, tenho a lembrança da campanha nacional de vacinação contra a meningite. Foi em 1975. Houve um surto da doença, a ditadura militar tentou esconder, mas acabou cedendo às evidências.

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Fui vacinado contra a meningite no Instituto Dom Adauto, onde fizera meu curso primário. A fila se estendia por muitos quarteirões, mas andava rápido. Eram milhares de pessoas.

Já adulto e à frente da redação da TV Cabo Branco, atuei na cobertura de muitas campanhas de vacinação ou multivacinação. A famosa gotinha, o personagem Zé Gotinha, os pais, as crianças, as autoridades da área de saúde, o prefeito, o governador, as entradas ao vivo, as nossas matérias, o balanço no final do dia.

Vacinar era uma coisa normal. Esse texto é somente para dizer isso. Que vacinar era uma coisa normal. E que, hoje, o Brasil tem um presidente que é contra a vacina em meio a uma pandemia que já matou mais de 600 mil brasileiros. E, ainda, que há um gado imenso a segui-lo em sua obsessão pela doença e pela morte. Até quando?